- O sushi de salmão foi criado pela Noruega nos anos oitenta para o Japão, por meio do Project Japan, incluindo renomeação do peixe para “Noruee saamon” e apoio de chefs.
- O Japão, que não aceitava salmão cru, recebeu a nova estratégia e houve jantares na embaixada, degustações e parcerias com chefs para legitimar o prato.
- O ponto de virada ocorreu com um acordo com a empresa Nichirei: cinco mil toneladas de salmão norueguês vendidos como sushi, visando construir uma categoria premium.
- A partir da década de noventa, modelos plásticos de nigiri de salmão passaram a aparecer em vitrines de restaurantes japoneses, ajudando a popularizar o ingrediente; o kaitenzushi facilitou o alcance ao público jovem.
- No Brasil, a importação de salmão norueguês começou a ganhar espaço em dois mil e vinte e quatro; acordos comerciais entre Mercosul e Efta, em dois mil e vinte e cinco, devem reduzir tarifas e ampliar o acesso. Além disso, a Damm Produtos Alimentícios lançará, em dois mil e vinte e seis, o primeiro salmão brasileiro criado sem antibióticos, com certificação de bem-estar animal.
O sushi de salmão teve origem fora do Japão e ganhou espaço no cardápio japonês a partir dos anos 1980. A história envolve negociações, marketing e mudanças culturais que levaram o peixe de cor alaranjada a se tornar ingrediente comum em pratos como o sushi.
No passado, o salmão do Pacífico era pouco utilizado cru na culinária japonesa devido a riscos de parasitas. O pescado era mais associado a preparações grelhadas, salgadas ou defumadas, com o atum e o linguado dominando o cardápio de sashimi e nigiri.
O marco da transformação
A invenção do sushi de salmão é atribuída à Noruega, via projeto chamado Project Japan. A estratégia envolveu rebatizar o peixe como Noruee saamon e promover degustações em eventos e jantares oficiais em Tóquio, com apoio de chefs de destaque.
A virada ocorreu com um acordo entre a Noruega e a empresa japonesa Nichirei, que comprou milhares de toneladas de salmão a preços baixos para vender como sushi. A ideia era criar uma categoria premium ainda atraente ao consumidor japonês.
Difusão e impacto global
Nos anos 1990, réplicas de nigiri com salmão já apareciam em vitrines de restaurantes japoneses. O Kaitenzushi, mais acessível, ajudou a popularizar o ingrediente entre diferentes públicos, inclusive crianças. Dados do Norwegian Seafood Council indicam crescimento expressivo das exportações para o Japão.
Hoje, o salmão representa o topping preferido em 17 de 20 países pesquisados, com a Noruega respondendo por cerca de 53% do mercado global, exportando para 113 nações. A evolução começou com uma aposta comercial que virou hábito mundial.
Brasil e perspectivas
No Brasil, a importação de salmão é recente, com abertura sanitária para o salmão norueguês em setembro de 2024. Em 2025, o país importou cerca de 5 toneladas de salmão defumado da Noruega, sinalizando início de uma relação comercial.
Logística é o principal desafio para o abastecimento brasileiro. Um acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA, assinado em setembro de 2025, pode reduzir tarifas e ampliar o acesso ao salmão norueguês no médio prazo.
Movimento nacional e cenário futuro
Enquanto a Noruega expande presença no Brasil, a indústria nacional aposta em produtos premium com rastreabilidade. A Damm Produtos Alimentícios lançará, em abril de 2026, um salmão sem antibióticos criado na Patagônia Chilena, com certificação de bem-estar animal.
O anúncio reforça a tendência de maior integração entre produção responsável, sabor e acesso ao consumidor brasileiro. Essas dinâmicas ajudam a entender o papel do salmão no prato de sushi no Brasil e no mundo.
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