- O Tesouro Direto interrompeu a negociação na tarde desta quarta-feira (18) por volatilidade, com apenas Tesouro Selic e Tesouro Reserva disponíveis para compra, e as opções prefixadas ou indexadas à inflação suspensas.
- O aperto veio após o Federal Reserve manter a taxa de juros em 3,50% a 3,75% ao ano, em decisão unânime, mas com tom de comunicado mais duro do que o previsto.
- O gráfico de pontos (dot plot) mostrou consenso entre dirigentes de que a taxa pode subir em 2026, com nove de dezoito membros projetando alta neste ano; apenas oito veem manutenção e um sinaliza recuo.
- Em coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, adotou cautela, destacando inflação acima da meta e que serão estudadas forças-tarefa sobre balanço, comunicação e dados.
- O mercado reagiu com queda nas bolsas e fortalecimento do dólar, refletindo a percepção de maior volatilidade e ajustes nas próximas reuniões.
O Tesouro Direto interrompeu a negociação de títulos na tarde desta quarta-feira (18) por causa da volatilidade gerada pela decisão de juros do Federal Reserve (Fed). Às 17h15, apenas Tesouro Selic e Tesouro Reserva estavam disponíveis para compra, com as opções prefixadas e indexadas à inflação suspensas.
O Fed manteve o juro na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em decisão unânime. O tom do comunicado foi mais duro do que o esperado e a retirada da passagem que indicava avaliação de “magnitude e momento de ajustes adicionais” comprometeu o guidance.
O gráfico de pontos, o *dot plot*, mostrou maior concentração de dirigentes que projetam alta da taxa em 2026. Entre os 18 membros que apresentaram projeção, nove indicam alta neste ano, com leituras entre 4% e 4,25% em alguns cenários.
Em evento de estreia à frente do Fed, o presidente Kevin Warsh ressaltou cautela sobre inflação elevada, apesar de emprego estável. Warsh confirmou a criação de forças-tarefa em cinco áreas, incluindo o balanço, para revisar comunicados, dados e produtividade.
Analistas destacam que as declarações podem ter elevado a volatilidade nos mercados, com o Fed sinalizando mudanças para o ambiente regulatório. A diretora de estratégia, Paula Zogbi, afirma que o cenário sugere mais ajustes na leitura dos agentes, não apenas impactos de curto prazo.
Contexto de mercado
Bolsa brasileira reagiu com recuo e o dólar ganhou força frente ao real, refletindo o impacto global da decisão. A leitura de investidores manteve o foco nas expectativas de política monetária norte-americana para os próximos meses.
Perspectivas futuras
Especialistas ressaltam que o mercado ficará atento aos próximos comunicados do Fed e aos dados de inflação e emprego nos EUA. A volatilidade pode persistir enquanto houver dúvidas sobre o caminho das taxas e o ritmo de aperto monetário.
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