- Setenta e quatro por cento dos trabalhadores da linha de frente usam IA regularmente, com salto de 23 pontos percentuais desde 2025; 42% economizam oito horas semanais.
- Dois terços não receberam orientação sobre como reinvestir o tempo economizado e mais da metade não usa essa economia em atividades estratégicas.
- A clareza estratégica é o principal diferencial entre empresas que colhem resultados com IA e as que apenas adotam; apenas um terço dos funcionários de linha de frente acha as comunicações da liderança sobre IA claras, e 28% veem coerência entre discurso e prática.
- O estudo aponta três estágios de maturidade: uso como ferramenta de produtividade, redesenho de fluxos e criação de novos modelos de negócio; a adoção nos estágios mais avançados passou de 22% para 42% entre 2025 e 2026.
- Em governança, 84% conhecem agentes de IA; 30% já os incorporaram a fluxos de trabalho, e metade diz que não há governança clara para equipes com pessoas e IA, sinalizando necessidade de governança contínua e metas mensuráveis.
O uso de inteligência artificial nas empresas está deixando de ser um desafio técnico para se tornar um tema de gestão. A quarta edição do relatório AI at Work, do Boston Consulting Group (BCG), reúne quase 12 mil entrevistas em mais de uma dúzia de mercados globais. O estudo aponta crescimento do uso, mas ausência de redesenho de processos e métricas.
Segundo o levantamento, 74% dos trabalhadores da linha de frente utilizam IA diariamente ou algumas vezes por semana, um salto de 23 pontos percentuais em relação a 2025. Entre os usuários, 42% afirmam economizar oito horas por semana, equivalente a um dia de trabalho.
Em áreas específicas, o impacto varia: marketing chega a 60% de economia de tempo, TI a 53% e recursos humanos a 50%. Mesmo com os ganhos, dois terços dos trabalhadores não receberam orientação sobre como reinvestir esse tempo e mais da metade não utiliza a economia em atividades estratégicas.
Adoção sem rumo
Os autores destacam um conceito chamado de “clareza estratégica” como diferença entre resultados úteis e apenas adoção de IA. Planos explícitos para o uso da tecnologia elevam o desempenho, mesmo com acesso limitado a ferramentas.
Apenas 33% dos trabalhadores afirmam que as lideranças comunicam de forma clara sobre IA. 28% percebem coerência entre o que é dito e o que a empresa faz na prática. E 72% apontam mudanças nas habilidades exigidas, mas 36% receberam requalificação adequada.
O estudo aponta três estágios de maturidade na adoção de IA: uso como ferramenta de produtividade, redesenho de fluxos de trabalho e criação de novos modelos de negócio. Os dois estágios mais avançados cresceram de 22% para 42% entre 2025 e 2026, ainda sendo maioria em menor escala.
Liderança em foco
Para os CEOs, a clareza estratégica não é apenas comunicação, mas uma prática de liderança. Executivos que lideram a transformação apresentam melhor desempenho em valor, satisfação e confiança organizacional. O estudo recomenda que a IA seja prioridade com metas mensuráveis e comunicação direta com a linha de frente.
Gestores intermediários enfrentam desafios operacionais: a IA já reorganizou rotinas, avaliações de desempenho e competências, mas os sistemas de gestão ainda não acompanharam as mudanças.
O relatório aponta que 67% dos trabalhadores veem a IA assumindo tarefas simples, enquanto quase metade gasta mais tempo revisando outputs. Em 41% há aumento no tempo dedicado a decisões, sem medição sistemática desses impactos.
Paradoxo da alegria e governança
O chamado “paradoxo da alegria” ocorre quando mais de dois terços relatam maior satisfação com o uso da IA, porém 41% dos trabalhadores e 48% dos líderes relatam aumento de estresse mental. Pode indicar efeito de maior responsabilidade e complexidade.
Empresas que alinham discurso, medem impactos e envolvem funcionários tendem a prosperar, gerando valor para o negócio e promovendo bem‑estar no trabalho.
Agentes autônomos e governança
84% dos entrevistados já ouviram falar de agentes de IA, com 30% mantendo fluxo de trabalho integrado à IA. Outros 50% já realizaram pilotos com agentes, diante de 13% no ano anterior. Ainda assim, metade não tem governança clara para equipes com pessoas e IA.
A expectativa é de que, nos próximos três anos, agentes realizem pelo menos metade do trabalho. A supervisão continua distante: 50% destacam falta de governança para equipes híbridas de humanos e IA.
Os autores sugerem tratar a IA como alvo em movimento, com governança contínua que revise valor e ajuste modelos conforme evolução da tecnologia, evitando ciclos de implementação com data de encerramento.
Com supervisão de Lia Hama.
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