- Minas Gerais privatizou a Copasa, com a Equatorial Energia vencendo o leilão e oferecendo R$ 49,03 por ação.
- O estado passou a deter apenas cerca de 5% das ações, mantendo uma golden share para decisões estratégicas; modelo semelhante ao aplicado na Copel.
- A operação deve render até R$ 10 bilhões aos cofres públicos, e a venda foi concluída com a entrega das ações na Bolsa de Valores (B3) em São Paulo.
- O acordo estende concessões até 2073, adianta repasses aos municípios e prevê a cobrança da tarifa de esgoto apenas a partir de 2029, condicionado à adesão dos municípios ao novo contrato.
- A privatização faz parte da estratégia de abater a dívida estadual com a União e envolve apoio técnico aos municípios atendidos, com foco em universalizar o saneamento até 2033.
Minas Gerais concluiu neste mês de junho a privatização da Copasa, encerrando um capítulo marcado por dificuldades administrativas. A Equatorial Energia venceu o leilão com oferta de 49,03 por ação, levando a empresa a deixar de ser estatal majoritária. O Estado passará a deter cerca de 5% das ações, com um golden share para decisões estratégicas.
A operação envolve um ajuste fiscal relevante: a venda pode gerar até 10 bilhões de reais aos cofres públicos. O processo foi viabilizado por acordo entre governos municipais, o Tribunal de Contas e o setor privado, com a liquidação final ocorrendo no dia 11. A entrega das ações ocorreu em 16 de junho, durante cerimônia na B3, em São Paulo.
A privatização foi apresentada como parte da estratégia do governo estadual para reduzir a dívida com a União. Em dezembro de 2025, o governo mostrou sinal de intensificar negociações após ajustes de valores, registrando o lance vitorioso na rodada final.
Grupo Equatorial e o portfólio de atuação
Com a aquisição, o grupo Equatorial passa a controlar Copasa, Sabesp e ativos no Amapá. O acordo prevê um período de lock-up até junho de 2030. A empresa afirmou que a nova posição está alinhada à estratégia de expansão no saneamento, especialmente no Sudeste.
Na prática, a transição envolve 636 municípios mineiros, sendo que cerca de 600 participaram de reuniões estratégicas com prefeitos para discutir investimentos, segurança jurídica e apoios à universalização do serviço.
Aspectos técnicos e sociais da transição
A AMM negociou concessões até 2073 e somou entre 2 e 3 bilhões ao valor final, conforme avaliação do TCE-MG. Municípios poderão receber adiantamentos de mais de 350 milhões entre 2026 e 2028 para facilitar a transição. A organização municipal ressaltou que o repasse garante recursos aos gestores locais.
O acordo também previa a prorrogação das concessões e a extensão do serviço de esgoto sem licitação prévia, ampliando a cobertura para 273 municípios. A expectativa é de apoio técnico da Semad-MG aos Planos de Saneamento Básico.
Desenlace jurídico e operaciôes futuras
A venda foi tema central de uma agenda política que envolveu determinações legais para obediência a um referendo previsto na Constituição Estadual. O projeto de lei para alteração constitucional foi aprovado pela Assembleia em 2025, abrindo caminho para o processo de desestatização.
Entre as cifras, está a obrigação de repasse de 60 milhões ao fundo do TCE-MG, fruto de acordo de autocomposição. A Copasa confirmou o destino dos recursos e informou que a transição manterá contratos de trabalho por 18 meses, com planos de ampliar investimentos para universalizar o saneamento até 2033.
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