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Verde Asset escolhe ações a dedo em meio à saída de estrangeiros da B3

Retorno projetado das dez maiores do Ibovespa cai para 14%; fluxo estrangeiro não deve voltar em breve diante de volatilidade eleitoral e ajuste de carteiras

Luis Stuhlberger, criador e gestor do fundo Verde — Foto: Silvia Costanti / Valor
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  • Verde Asset passa a escolher ações a dedo diante da saída de estrangeiros da B3, após o rali inicial do ano.
  • Retorno projetado das dez maiores empresas do Ibovespa caiu de 29% (dezembro de 2024) para 14%, segundo Antonio Barreto, chefe de pesquisa da gestora.
  • A casa mantém cerca de 6,8% da carteira em ações brasileiras selecionadas e outra fatia semelhante em opções sobre o EWZ, visando cenário com possível vitória da oposição sem subida acentuada do mercado.
  • A leitura interna aponta maior volatilidade eleitoral nos próximos meses e a necessidade de foco em ações mais defensivas, com destaque para empresas que pagam dividendos e geram caixa.
  • O cenário externo envolve um real sensível, com o patamar atual de bolsa considerado atraente por valor, mas risco cambial pode reduzir retornos em reais caso haja desvalorização do dólar.

A Verde Asset ajustou sua visão sobre o Ibovespa após a confirmação da saída de estrangeiros da B3. O retorno esperado das dez maiores ações caiu de 29% em dezembro de 2024 para 14% atualmente, o que, segundo Antônio Barreto, chefe de pesquisa, reduz a atratividade de fluxos internacionais neste início de ano. Com isso, a gestora aponta a necessidade de selecionar ações a dedo diante da volatilidade eleitoral prevista.

A estratégia da Verde contempla cerca de 6,8% da carteira em ações brasileiras escolhidas, com um peso semelhante em uma estrutura de opções sobre o EWZ, que replica a bolsa brasileira externamente. A montagem busca mitigar o risco de desequilíbrios caso haja vitória da oposição sem reação extrema do mercado, estimando retorno próximo de três para um. Stuhlberger aponta que os preços atuais já embutem cerca de 70% de chance de reeleição de Lula e 30% de mudança de governo.

A leitura é de que o cenário global mudou para dentro da gestão. De uma postura de cautela com os EUA no início do ano, o panorama passou a volatilidade alimentada por resultados de IA, inflação alta e juros elevados mantidos por mais tempo. A Verde ressalta que isso contribui para uma bolsa brasileira mais sensível a choques macro.

Desempenho e proteção

Marcos Fantinatti, economista-chefe da Verde, aponta que o custo fiscal e parafiscal pesa sobre o cenário doméstico, com gastos públicos em elevação. A equipe estima crescimento da despesa total em torno de 4% ao ano em termos reais, acima do ritmo observado nos governos anteriores. O efeito é um desequilíbrio entre gasto e teto fiscal, impactando as variáveis de juros.

Segundo a gestora, a despesa atual fica em cerca de R$ 500 bilhões acima do que seria previsto com o teto de gastos. Sem ajustes em itens como Previdência e benefícios ligados ao salário mínimo, não haveria equilíbrio econômico. Fantinatti descreve o Brasil como “pé no acelerador fiscal e pé no freio monetário”, com as forças atuando de modo oposto.

Valorização da bolsa e cenário de investimentos

A Verde avalia que a bolsa não está cara quando excluem-se ativos de commodities. Em 30 dias, o Ibovespa caiu quase 20% e negocia em torno de 9,7 vezes o lucro, abaixo da média do atual governo. Barreto destaca que barata não é sinônimo de bom investimento, já que revisões de lucro para 2026 são negativas fora do setor de commodities.

A visão fica mais favorável para empresas com caixa robusto, baixa alavancagem e alto retorno de dividendos, estimado em perto de 6% ao ano. Com crescimento de lucro combinado ao dividendo, o retorno em reais pode chegar a 14% no cenário atual, tornando o Brasil competitivo em relação a outros mercados. No entanto, a variação cambial pode reduzir esse retorno para ~4% com uma queda de 10% do real.

Foco em ações além das maiores

A Verde aponta que o estrangeiro permanece afastado do mercado brasileiro, em parte pela concentração de fluxos em grandes empresas. A gestora orienta seu foco nos demais 30% do Ibovespa, que podem oferecer retorno real acima de 12% ao ano. Essas firmas apresentam menor valor de mercado, liquidez menor e maior volatilidade, mas oferecem oportunidades distintas.

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