- O Brasil discute o custo de produzir cannabis medicinal com THC de até 0,3% e como isso afeta o acesso aos tratamentos.
- Pesquisadores destacam que a viabilidade de produção é comprovada, mas a conformidade regulatória aumenta a complexidade operacional e os custos.
- Estágios de maturação, clima, manejo agrícola e métodos de análise influenciam o teor de THC e a forma de monitorar a conformidade.
- Estudos indicam que manter a conformidade pode reduzir rendimento e exigir mais área cultivada, água, energia e mão de obra para a mesma produção de ativo.
- Ainda não há dados consolidados sobre quanto esses custos chegam ao consumidor, mas o tema é central para entender a sustentabilidade econômica da indústria nacional.
O Brasil avança no debate sobre cannabis medicinal com foco na produção nacional de plantas com até 0,3% de THC. Especialistas destacam que o avanço regulatório pode atrair investimentos, gerar empregos e ampliar o acesso a tratamentos.
Beatriz Emygdio, pesquisadora e consultora da cadeia, afirma que o tema crucial não é mais a viabilidade de produzir com baixo THC, mas o custo produtivo, regulatório e econômico para manter a conformidade em escala comercial.
Viabilidade técnica e complexidade operacional
Resultados da UFPB, em parceria com a ABRACE, mostram que é possível produzir dentro dos parâmetros regulatórios em ambientes tropicais e semiáridos. O desempenho, porém, depende de clima, manejo, estágio de maturação e metodologias de análise.
A conformidade regulatória exige monitoramento constante e aumenta a complexidade operacional da produção, impactando prazos, custos e produtividade. Fatores não apenas genéticos influenciam o teor de THC.
O custo oculto da conformidade
Estudos internacionais apresentados em congressos indicam que produtores de cultivares com alto CBD costumam antecipar colheitas para evitar ultrapassagens do limite. Essa estratégia reduz rendimento final e pode exigir mais área, água, fertilizantes, energia e mão de obra.
Segundo Beatriz, o impacto econômico também se reflete no acesso do paciente. Produtividade e competitividade são determinantes para formação de preços na cadeia agroindustrial.
Quem arcará com os custos?
A produção nacional é defendida como instrumento para reduzir importações e facilitar o acesso aos medicamentos. Entretanto, custos adicionais com monitoramento, análises, gestão de risco e perdas produtivas devem ser absorvidos pela cadeia.
Ainda não há dados consolidados sobre a parcela que chegará ao consumidor, mas o tema mobiliza pesquisadores, produtores e investidores que acompanham o mercado brasileiro.
Panorama internacional e lições
Diversos países revisam seus marcos regulatórios com base em experiência prática. A República Tcheca elevou o limite para 1%, assim como a Nova Zelândia. Em África, a discussão envolve produtividade, competitividade e sustentabilidade econômica.
Beatriz Emygdio aponta que o sucesso no Brasil dependerá da construção de uma indústria economicamente estável, capaz de inovar, competir globalmente e oferecer medicamentos acessíveis.
Perguntas que moldam o futuro
Entre as questões previstas para os próximos anos estão o impacto do limite de THC na produtividade agrícola, o custo real da conformidade, a taxa de não conformidade em climas tropicais, a competitividade da indústria nacional e quanto dessas despesas serão repassadas aos pacientes.
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