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Brexit custa 6% da economia do Reino Unido, dados do Banco de Inglaterra

Dados do Painel de Decisão da Bank of England apontam queda de 6% no PIB britânico em dez anos por Brexit, metade pela incerteza e pelas barreiras comerciais

Getty Images A cityscape of London's financial centre in London showing major bank skyscrapers.
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  • Estudo com dados do Banco da Inglaterra aponta que o Brexit cortou cerca de 6% da economia britânica ao longo de dez anos.
  • Metade do impacto veio da incerteza pós-referendo e a outra metade de barreiras comerciais após deixar a união aduaneira e o mercado único em 2021.
  • Críticos dizem que o estudo não capta a performance superior dos setores de tecnologia e investimento dos EUA nem o choque energético europeu de anos anteriores.
  • O coautor Nick Bloom, da Stanford, afirma que o Reino Unido crescia rápido antes do Brexit e que os dados do BoE ajudam a corroborar esse efeito.
  • O primeiro-ministro Keir Starmer, anunciando próxima cimeira com chefs de governo da União Europeia em julho, busca acordos para exportação de alimentos, energia e comércio de emissões.

O Reino Unido sofreu uma perda estimada de 6% no PIB ao longo de uma década por causa do Brexit, segundo análise de dados internos do Bank of England. A avaliação olha para as decisões, perspectivas e resultados financeiros de milhares de empresas britânicas desde o referendo.

Ao cruzar essas informações com métodos usados pelo banco para definir juros, o estudo tenta reconstruir como o crescimento seria sem a decisão de deixar a UE. Cerca de metade do impacto é atribuída à incerteza pós-referendo, diz o estudo.

A outra metade seria decorrente do aumento de barreiras comerciais após a saída do Reino Unido da união aduaneira e do mercado único em 2021. Críticos questionam se o trabalho considera bem o desempenho superior dos EUA em tecnologia e investimento ou o choque energético europeu.

Metodologia e resultados

O coautor Nick Bloom, professor britânico da Universidade de Stanford, destaca que a economia britânica já crescia rapidamente antes do Brexit e poderia ter mantido parte desse ritmo sem a ruptura. O estudo usa dados de empresas para corroborar o retrato macro.

Os autores dizem que o conjunto de dados de decisões empresariais forneceu novas evidências sobre a exposição das firmas aos impactos do Brexit. O levantamento compara o que ocorreu com cenários hipotéticos de continuidade na UE.

A versão mais recente do estudo cita uma queda de 6% no PIB ao longo de 10 anos, embora outras análises tradicionais apontem uma média de 8%. O documento ressalva que as conclusões não tradu nem representam formalmente o Bank of England.

O artigo foi publicado próximo ao décimo aniversário do referendo, com a participação do Banco da Inglaterra e de economistas independentes. O objetivo é esclarecer o efeito gradual da saída sobre a atividade econômica.

Reação e contexto político

O governador do Bank, Andrew Bailey, comentou que a atividade econômica ficou abaixo do que seria esperado, atribuindo parte do resultado à contração de mercados de exportação e à perda de escala. Bailey ressaltou que a produtividade também foi impactada.

Apesar das críticas, o governador afirmou que o impacto sobre serviços financeiros não foi tão grave quanto previam alguns analistas. A avaliação coloca o Brexit como um fator relevante, porém menos devastador do que em cenários iniciais.

As autoridades ampliaram a fala sobre as consequências da saída, com pronunciamentos que vêm sendo feitos em palestras e entrevistas nas últimas semanas. O tema permanece central para o debate econômico no país.

Keir Starmer afirmou que participará de cúpula com pares da UE em julho para discutir acordos sobre exportações alimentares e agrícolas, bem como eletricidade e comércio de emissões. Outros assuntos de cooperação devem entrar na pauta.

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