- A Confederação Nacional da Indústria divulgou carta enviada a pré-candidatos à Presidência, com propostas sobre mudanças trabalhistas, previdenciárias e de saúde no trabalho.
- O documento, datado de 15 de junho de 2026, está no material “Construindo o Brasil 2050 – a indústria na agenda dos presidenciáveis” e será entregue em evento em 22 de junho, em Brasília.
- Entre as medidas, está a associação do Bolsa Família a ações de empregabilidade, com busca ativa por trabalho como condição de permanence no programa, e a regulamentação do trabalho multifunção.
- A agenda é dividida em quatro frentes: legislação trabalhista e segurança jurídica; previdência; futuro do trabalho; saúde e segurança, incluindo atualização de NRs e regulamentação da telemedicina.
- A CNI estima que o Brasil precisa preparar cerca de 14 milhões de profissionais até 2027, dos quais 11,8 milhões já estão no mercado e devem se requalificar diante de transformações tecnológicas.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, na segunda-feira, 15 de junho de 2026, um documento com propostas para pré-candidatos à Presidência. O material aborda mudanças em regras trabalhistas, previdenciárias e de saúde e segurança no trabalho. O objetivo é adaptar o marco regulatório aos avanços tecnológicos, principalmente a inteligência artificial, e incentivar a qualificação profissional.
O documento faz parte da iniciativa intitulada Construindo o Brasil 2050 – a indústria na agenda dos presidenciáveis. O texto será entregue aos pré-candidatos em evento marcado para 22 de junho de 2026, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A CNI prevê apresentações, perguntas e coletar demandas do setor.
Entre as medidas, está a associação do Bolsa Família a ações de empregabilidade. A entidade pede busca ativa por trabalho como condição para permanência no programa e regulamentação do trabalho multifunção, com atuação em várias tarefas por empregado.
Quatro frentes da agenda
A agenda da CNI está dividida em quatro pilares: legislação trabalhista e segurança jurídica; previdência; futuro do trabalho; saúde e segurança. Em cada área, o foco é reduzir burocracias, adaptar normas às mudanças tecnológicas e incentivar qualificação e inovação.
Na área de qualificação, a CNI estima que cerca de 14 milhões de profissionais precisem de aperfeiçoamento até 2027. Desses, 11,8 milhões já atuam no mercado e devem receber capacitação para acompanhar transformações tecnológicas.
A entidade aponta que a reforma trabalhista de 2017 avançou na modernização, mas deixou lacunas. Segundo a CNI, esse quadro contribui para ações na Justiça do Trabalho e insegurança jurídica para empresas, com aumento de custos.
Em 2025, o Tribunal Superior do Trabalho registrou 2,3 milhões de novos processos trabalhistas, o maior volume desde a reforma. A Justiça determinou o pagamento de mais de R$ 50 bilhões pelas empresas, com alta de 33% no número de ações desde 2018.
A CNI propõe a criação de um conselho tripartite no Ministério do Trabalho e Emprego para julgar recursos administrativos contra penalidades a empresas. Também defende critérios objetivos para a Justiça gratuita e medidas para combater litigância predatória.
No campo previdenciário, o documento sugere manter o benefício do trabalhador durante o limbo previdenciário e reconhecer a eficácia dos EPIs na neutralização de agentes nocivos, especialmente o ruído, como parte de medidas de proteção.
O evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis também reunirá os pré-candidatos Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que já confirmaram presença. Eles devem apresentar propostas, responder a perguntas e ouvir demandas do setor.
Além das áreas de trabalho e previdência, o material reúne recomendações sobre macroeconomia, indústria, inovação, energia, infraestrutura de transportes, sustentabilidade, sistema tributário, cooperação internacional e segurança jurídica.
Entre na conversa da comunidade