- O governo estima impacto fiscal de R$ 111 bilhões por ano caso as pautas-bomba sejam aprovadas no Congresso.
- Economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, afirma que o acúmulo dessas medidas pode elevar a dívida pública em até R$ 1,7 trilhão no longo prazo.
- Mesmo com apelo político, a aprovação sem compensação fiscal seria incompatível com as contas públicas; o presidente da República deve vetar as propostas se aprovadas.
- Se vetos forem derrubados pelo Legislativo, há risco de judicialização, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal sobre desoneração da folha de pagamentos.
- Salto ressalta fragilidade estrutural das contas públicas diante de incertezas externas, defendendo superávits primários para reduzir a relação dívida/PIB e permitir juros reais mais baixos.
O governo federal estima um impacto fiscal de R$ 111 bilhões por ano caso as chamadas pautas-bomba sejam aprovadas no Congresso. Entre as propostas estão a renegociação de dívidas rurais, piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas, além de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.
O cálculo, apresentado por uma instituição ligada ao governo, aponta aumento acumulado da dívida pública em longo prazo. Segundo o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, o efeito pode elevar a dívida em até R$ 1,7 trilhão, ampliando o peso das contas públicas para além de 2036.
A avaliação destaca que, apesar de haver demandas legítimas, a aprovação sem compensação fiscal é inviável diante da atual situação das contas. Salto afirma que, se o Congresso insistir nessas pautas, o presidente pode aplicar vetos.
Veto e judicialização
Caso os vetos ocorram, a possibilidade de questionamento no Judiciário é citada como caminho futuro. Como referência, o economista cita decisões do Suprema Corte sobre desoneração da folha de pagamentos, que reforçam a necessidade de fontes de compensação para novas despesas.
Salto ressalta a fragilidade das contas públicas diante de fatores externos, como tensões comerciais com os Estados Unidos e impactos da guerra na Ucrânia. A organização das contas é vista como essencial para inflação, juros e câmbio.
A carga tributária brasileira já está entre as mais altas entre emergentes, com gastos crescentes acima da inflação. O nível de endividamento também supera a média de economias comparáveis em desenvolvimento, segundo o economista.
Controle fiscal e prioridades
Para estabilizar a relação dívida/PIB, Salto defende a geração de superávits primários. Segundo ele, esse ajuste permitiria juros reais mais baixos e maior dinamismo econômico, sem comprometer a solvência do tesouro. O alerta é pela responsabilidade fiscal constante.
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