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Europa protege-se da enxurrada de produtos chineses e evita guerra comercial

A União Europeia avalia mecanismos para reequilibrar o comércio com a China diante de déficit recorde e risco de guerra comercial

Carros fabricados na China são vistos antes de serem embarcados em um navio cargueiro com destino à Europa, em um porto de Yantai, na província de Shandong, no leste da China, em 11 de junho de 2026.
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  • A União Europeia enfrenta déficit comercial com a China superior a € 1 bilhão por dia, segundo dados que serão discutidos no Conselho Europeu em Bruxelas.
  • Em abril, o déficit com a China ultrapassou € 30 bilhões, levando a Comissão Europeia a defender instrumentos para reequilibrar a relação comercial.
  • Entre as medidas estudadas está um mecanismo para excluir produtos dos mercados públicos da UE e limitar aquisições de empresas europeias por grupos chineses; a França defende um equivalente europeu da “Seção 301”.
  • A Alemanha parece mudar de posição, com críticas à passividade diante de violações de regras de indústria e comércio, sinalizando maior convergência com a França.
  • O objetivo é reequilibrar trocas sem romper com a China, evitando uma guerra comercial e diversificando fontes de abastecimento, especialmente de matérias-primas estratégicas.

A União Europeia enfrenta uma “enxurrada” de produtos chineses e busca evitar uma guerra comercial. O déficit com a China ultrapassou € 30 bilhões em abril, elevando a preocupação entre governos e a futura agenda do Conselho Europeu, em Bruxelas.

Segundo dados da Comissão Europeia, a média diária de importações chinesas mostra o valor agregado ao déficit de mais de € 1 bilhão, pressionando a indústria europeia e gerando debate sobre retaliações comerciais.

Entre as medidas em estudo, está a criação de um mecanismo que excluiria itens específicos dos mercados públicos europeus e restringiria aquisições de empresas europeias por grupos chineses. A França defende um caminho similar a um Artigo 301 europeu, com sobretaxas direcionadas.

Em entrevista, o presidente francês ressaltou a necessidade de medidas de defesa quando a soberania econômica está em jogo, destacando o direito de reagir a práticas comerciais desleais.

Há receio de uma escalada, especialmente depois das sobretaxas de 2024 sobre veículos elétricos chineses, que provocaram retaliação de Pequim em setores como conhaque, suínos e lácteos europeus. O efeito potencial na indústria europeia é tema de discussões.

A dependência da UE de terras raras e outras matérias-primas estratégicas alimenta o debate. Restritivas exportações chinesas no ano passado serviram como alerta para diversificar fontes de abastecimento, segundo autoridades alemãs e líderes da UE.

A Alemanha passa por uma mudança de postura, com o chanceler Friedrich Merz criticando a passividade em relação a parceiros que não respeitam regras de indústria e comércio. Paris observa com cautela, registrando convergência entre os dois países.

Para o bloco, o objetivo é encontrar um equilíbrio entre proteção industrial e continuidade econômica com a China. O comissário do Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou que o objetivo é reequilibrar trocas e restabelecer condições de concorrência.

A composição de posições entre Estados-membros parece favorecer medidas mais firmes, mas a UE teme represálias chinesas. O debate em Bruxelas promete ser intenso, com foco em subsídios, capacidade produtiva e diversificação de cadeia de suprimentos.

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