- A gestora JGP classifica o crédito ao consumidor no Brasil como “equilíbrio instável”, com risco de stress futuro.
- O serviço da dívida (amortização e juros) corresponde a 29% da renda média disponível em dezembro, o maior entre os países pesquisados.
- Entre 2019 e 2025, o comprometimento da renda subiu 6,2 pontos percentuais, a maior variação da amostra.
- A Noruega é o segundo país com alta (5,4 p.p.); nos últimos 12 meses o Brasil teve expansão de 1,7 p.p., maior entre as nações analisadas.
- A JGP reduziu ou zerou exposição a bancos digitais e varejistas sensíveis ao crédito, avaliando retornos apenas com descontos maiores; mantém posição em SmartFit devido à atuação fora do Brasil.
O crédito ao consumidor no Brasil está em um “equilíbrio instável”, segundo a JGP, em carta enviada a clientes nesta terça-feira. A gestão aponta que o risco é o maior micro do país pela magnitude e pela transversalidade, com potencial de impactar diferentes setores.
Conforme a análise, o serviço da dívida, que abrange amortização e juros, correspondia a 29% da renda média disponível em dezembro. O dado é o maior entre os países acompanhados pela gestora. O peso inclui também o crédito imobiliário, o que explica parte da elevação.
Além de gráfico com a participação da renda comprometida, a carta ressalta que mercados desenvolvidos apresentam alta variante na parcela dedicada ao crédito imobiliário. Em países como Noruega e Canadá, o contraste se dá por maiores garantias e substituição de aluguel por financiamento.
H3 Situação do crédito ao consumidor
A JGP aponta que houve crescimento acelerado do comprometimento da renda no Brasil entre 2019 e 2025, de 6,2 pontos percentuais, a maior variação do grupo. Na comparação internacional, a Noruega registra alta de 5,4 pp; EUA, 0,2 pp.
O ritmo recente de aumento no Brasil que表eleva o risco não gerou ainda impactos severos no consumo ou na inadimplência, segundo os autores. A hipótese levantada atribui parte disso ao ganho de renda e à queda do desemprego nos últimos anos.
A teoria citada é a de estabilidade financeira de Hyman Minsky, que afirma que a estabilidade pode gerar fragilidade acumulada. Autores explicam que o custo de detectar esse desequilíbrio aumenta com o tempo de tranquilidade econômica.
H3 Perspectivas e ações da JGP
A solução considerada pela equipe envolve incremento de renda, ainda que haja incentivos ao endividamento. Restrição de crédito por bancos poderia reduzir consumo e ampliar inadimplência; cortes de juros estariam com projeções de impacto limitado até o próximo ano.
Diante do diagnóstico, a JGP zerou ou reduziu de forma relevante a exposição a ativos sensíveis ao crédito. Em carteira, houve venda de ações de bancos digitais e varejistas, como Renner e Localiza, e redução de Itaú.
A gestora diz atuar caso a caso e manter ativos com operações relevantes fora do Brasil, citando SmartFit como exemplo. O objetivo não é ter uma carteira imune ao consumidor endividado, mas manter seletividade.
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