- TransCore e Pumatronix chegam ao Brasil para levar soluções de free flow e explorar usos comerciais dos dados gerados nas rodovias, em meio à ausência de regulação específica pela ANPD.
- O free flow opera em treze concessões, com quase setenta pórticos ativos e cerca de cinco mil quilômetros de rodovias; cerca de quinze milhões de veículos já usam tags, com perspectiva de trinta milhões até dois mil e vinte e oito.
- A parceria prevê usar o smartphone como identificador de pagamento, substituindo as tags, com testes em andamento e homologação esperada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) ainda neste ano.
- Também há foco em classificação automática de veículos (usando IA, sensores e tecnologia lidar) para reduzir cobranças indevidas, com balanças em movimento já em operação no Rodoanel Norte de São Paulo.
- Há interesse comercial nos dados de mobilidade, desde que respeitada a LGPD, com usos potenciais por seguradoras, bancos e estudos de tráfego, embora ainda não haja diretrizes claras sobre compartilhamento e finalidades.
A chegada da americana TransCore ao Brasil, em parceria com a brasileira Pumatronix, reacende a discussão sobre o uso de dados gerados pelo free flow nas rodovias, ainda sem regulamentação específica. A iniciativa visa ampliar a cobrança sem cancelas e explorar novas aplicações para informações de tráfego.
Representantes das duas empresas estão no Brasil para participar da Bienal das Rodovias 2026, em Brasília, nos dias 17 e 18 de junho. O evento é promovido pela ABCR e reúne governo, reguladores e concessionárias para debater a regulação brasileira.
O free flow já opera em 13 concessões, com cerca de 70 pórticos e 5 mil km de rodovias em seis estados. Cerca de 15 milhões de veículos utilizam tags eletrônicas, com expectativa de chegar a 30 milhões até 2028, segundo a Abepam.
Dados e uso comercial
A TransCore projeta três camadas na parceria: captura de dados nos pórticos, validação das informações pela Pumatronix e consolidação financeira pela Movia. A iniciativa prevê até mesmo usar smartphones como substituto de tags para pagamento automático.
A empresa afirma que o smartphone atuaria como segunda camada de validação, mantendo a leitura de placa para cobrança. Testes já ocorrem nos EUA e a homologação pela ANTT e pela Artesp deverá ocorrer ainda neste ano.
A discussão envolve LGPD e limites de uso de dados como fluxo, velocidades, padrões logísticos e identificação de veículos. Executivos indicam interesse comercial, respeitando a privacidade, para setores como seguro e varejo.
Regulação em aberto
O cenário ocorre sem orientações da ANPD específicas para concessões rodoviárias. Especialistas defendem harmonizar regras da ANTT com LGPD, principalmente sobre compartilhamento e armazenamento de dados. A ANTT já utiliza rastreabilidade para fiscalização, fortalecendo o debate sobre governança de dados.
Concessionárias já enfrentam desafios como correta classificação de veículos para cobrança. A parceria aposta em tecnologia de visão computacional, IA e sensores para reduzir erros e fraudes, além de facilitar a integração com sistemas de pesagem em movimento da Pumatronix.
O tema central permanece: quais usos dos dados são permitidos, em que condições e sob quais limites regulatórios. Enquanto isso, o free flow segue em expansão, ampliando o valor econômico dos dados gerados nas rodovias brasileiras.
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