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Geopolítica instável leva bancos centrais globais a tom mais duro sobre juros

Bancos centrais adotam tom mais duro diante da geopolítica; acordo para encerrar conflito no Oriente Médio pode aliviar inflação e reduzir pressões sobre juros

Foto: Larissa Burchard/Laís Nagayama
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  • A escalada do preço do petróleo levou bancos centrais a adotarem tom mais duro, mesmo com inflação ainda alta em alguns países.
  • Japão elevou a taxa de juros para 1%, citando custos de energia mais elevados; BCE subiu a juros para 2,25% na semana passada, a primeira alta desde 2023.
  • Nos Estados Unidos, o Fed manteve as taxas entre 3,50% e 3,75%, mas abriu tom duro na comunicação, com expectativa de alta futura por parte da maioria dos dirigentes.
  • No Brasil, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 14,25%, destacando incerteza externa e reflexos da guerra no Oriente Médio sobre as condições financeiras globais.
  • O acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito pode influenciar o cenário, especialmente no estreito de Ormuz, passagem de cerca de um quinto do petróleo global.

O aumento dos juros ganhou fôlego globalmente diante da escalada dos custos de energia e da incerteza geopolítica. Com o petróleo acima de US$ 100 o barril, autoridades monetárias ajustam o tom mesmo diante de sinais mistos de inflação.

O ambiente externo continua desafiador para políticas domésticas, pois o contágio de choques de oferta e a piora das condições financeiras internacionais pesam sobre as perspectivas de crescimento. Economistas veem espaço limitado para cortes rápidos este ano.

Japão

Na terça-feira, 16, o Banco do Japão elevou a taxa básica para 1%, citando custos de energia mais altos como motor da mudança.

Zona do Euro

Na semana passada, o BCE subiu a juros em 0,25 ponto, para 2,25%. Foi a primeira alta desde 2023, com o banco enfatizando a deterioração do risco inflacionário pela conjuntura geopolítica.

Estados Unidos

Na quarta-feira, 17, o Fed manteve as taxas entre 3,50% e 3,75%, mas adotou tom mais firme. A maioria dos diretores espera alta de juros ainda neste ano, com projeções que vão de 3,75% a 4,5%.

Brasil

O Copom, nesta quarta-feira, cortou a Selic em 0,25 ponto, para 14,25%, citando incerteza decorrente de um possível acordo para cessar conflitos no Oriente Médio e impactos globais.

Segundo o relatório Focus, a Selic pode encerrar o ano em 13,75%, embora haja possibilidade de 14% caso as condições externas se mantenham instáveis.

Reino Unido

Nesta quinta-feira, 18, o BoE deve manter a taxa em 3,75%, sinalizando cautela diante do cenário global e da inflação doméstica.

Peso do acordo EUA-Irã

O ritmo dos ajustes dependerá de um provável acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra regional. Detalhes sobre o funcionamento do Estreito de Ormuz devem influenciar as expectativas de mercado.

As autoridades destacam que a normalização do Estreito e a reconstrução regional podem afetar a velocidade de recuperação da oferta de petróleo e comprometer o apetite de investimentos globais.

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