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Gilmar Mendes autoriza andamento de ações sobre pejotização no Brasil

Mendes desbloqueia retomada de ações sobre pejotização após suspensão, afetando 74,6 mil processos no Tribunal Superior do Trabalho

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal
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  • Gilmar Mendes liberou o andamento de ações sobre pejotização, após suspensa, para que os processos sigam seus trâmites.
  • Justiça do Trabalho tinha 74,6 mil casos sobre o tema parados na fase de tramitação.
  • A pejotização ocorre quando empresas contratam pessoa jurídica para prestar serviços, em vez de empregados formais.
  • Governo e entidades defendem definição clara de regras para a contratação de PJ, destacando riscos à Previdência Social e ao FGTS.
  • Dados do IBGE apontam que, hoje, cerca de 6,6 milhões de trabalhadores atuam com CNPJ no Brasil, representando aumento na participação desde 2012.

Gilmar Mendes, ministro do STF, determinou a retomada do andamento de ações que discutem a pejotização no país. A decisão derrubou a suspensão que impedia a tramitação desses casos.

A paralisação havia deixado 74,6 mil processos da Justiça do Trabalho pendentes sobre o tema, segundo levantamento obtido pelo UOL junto ao TST. Os casos tratam da contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas para prestar serviços.

A pejotização ocorre quando uma empresa contrata alguém como PJ em vez de empregado com carteira. Na prática, o trabalhador atua como prestador de serviço, ainda que a relação seja passível de questionamento na Justiça.

O STF enfrentava um impasse envolvendo a competência de eventual encaminhamento desses processos para a Justiça Comum, o que pode alterar a tramitação em fases como execução de pagamentos. A decisão deve exigir definição sobre a aplicação da reforma trabalhista de 2017.

O governo tem pressionado pela definição da matéria. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirma que a terceirização sem limites pode colocar em risco o FGTS e a Previdência, destacando impactos na arrecadação.

A atuação de órgãos públicos sobre o tema, junto com a pressão de centrais sindicais, sinaliza a expectativa de uma solução rápida do STF. A decisão pode redescrever o caminho dos processos já iniciados ou em andamento.

Entidades empresariais defendem que o STF defina critérios claros para a contratação de pessoas jurídicas, com o objetivo de reduzir incerteza jurídica. A posição é de que a prática não deve ser autorizada sem parâmetros robustos.

Especialistas ouvidos apontam que a definição pode influenciar a arrecadação previdenciária, já que a pejotização tende a reduzir encargos pagos à previdência. Em 2024, a participação de trabalhadores com CNPJ na força de trabalho chegou a 6,5%.

Sobre a prática, indicadores apontam variações por setor. Em ocupações como vendas, logística e telemarketing, a pejotização é identificada com frequência em auditorias entre 2022 e 2024. O debate permanece sem uma solução definitiva.

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