- Diretor-executivo da Absae, Fábio Lima, afirma que a indústria nacional tem capacidade para atender à demanda do 1º leilão de baterias do Brasil.
- O leilão, segundo diretrizes do Ministério de Minas e Energia, ocorrerá em duas etapas: a primeira em 2 de dezembro de 2026, com requisitos de nacionalização; a segunda em 4 de dezembro, aberta a sistemas sem essa exigência.
- Há interesse crescente de empresas estrangeiras, especialmente chinesas, em participar do leilão e instalar produção no Brasil.
- Empresas brasileiras já atuam no setor, como o Grupo Moura, que anunciou investimentos em baterias de lítio.
- O setor destaca a necessidade de um mercado permanente para armazenamento e de melhorias regulatórias para incentivar investimentos e uso da energia armazenada além do leilão.
O diretor-executivo da Absae, Fábio Lima, afirma que a indústria brasileira tem capacidade para atender à demanda do 1º leilão de baterias do Brasil. A declaração foi dada na entrevista ao Poder360 na sexta-feira, 12 de junho de 2026.
O Ministério de Minas e Energia publicou, em 3 de junho, as diretrizes do certame, que ocorrerá em duas etapas. A primeira, em 2 de dezembro de 2026, será para projetos com conteúdo local mínimo definido pelo BNDES. A segunda, em 4 de dezembro, abrirá para sistemas sem esse requisito.
Segundo Lima, já existem empresas nacionais fabricando soluções para armazenamento aplicadas a usos comerciais e industriais. Com o leilão, o governo sinaliza suporte à fabricação em maior escala, reforçando o potencial de construção de plantas no país.
Interesse internacional
Lima afirmou que há interesse crescente de empresas estrangeiras, especialmente chinesas, em participar do leilão e instalar produção no Brasil. Ele disse receber contatos quase que diariamente de novas companhias interessadas em atuar no mercado brasileiro.
O executivo citou ainda empresas brasileiras já atuantes no segmento, como o Grupo Moura, que anunciou investimentos no setor de baterias de lítio. A movimentação indica que o ecossistema local ganha tração com o incentivo regulatório.
Desafios regulatórios e de mercado
Apesar do otimismo, o setor aponta necessidade de aperfeiçoar a regulamentação de baterias no Brasil. Lima destaca a importância de criar um mercado permanente de armazenamento, não apenas contratos pontuais gerados por leilões.
A Absae estima que o mercado brasileiro movimente cerca de 77 bilhões de reais até 2034, com premissas consideradas conservadoras. O grupo defende integração dessas ações no planejamento elétrico de longo prazo.
Uso e economia de rede
Entre as propostas, está a instalação de baterias junto a geradores solares e eólicos, diferente do modelo do leilão. A ideia é permitir armazenamento direto pelos geradores, reduzindo desperdício e aproveitando picos de demanda.
O problema atual de excedentes de energia já foi destacado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema). Em junho, o órgão acionou medidas para gerenciar o excedente, evitando panes no sistema durante feriados.
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