- O bitcoin caiu mais de 50% desde a máxima de outubro de 2025, pressionando tesourarias de bitcoin a valorarem menos que suas reservas em bolsa.
- Trinta empresas com bitcoin no balanço negociam com mNAV abaixo de 1, ou seja, valem em bolsa menos que o próprio bitcoin em caixa, incluindo a Strategy.
- OranjeBTC e Strategy sofreram quedas acentuadas desde o IPO/estreias, com recuos próximos de 75% desde outubro de 2025.
- Em maio, a Strategy vendeu 32 bitcoins por US$ 2,5 milhões para reforçar caixa em dólar, sinalizando fragilidade do modelo dependente de emissão de ações para comprar mais bitcoin.
- A Méliuz, que não depende exclusivamente de emissão de ações para manter a tesouraria, mantém valor de reserva superior ao preço da criptomoeda, negociando a 2,41 vezes o valor de suas reservas.
O recuo do bitcoin continua impactando empresas que mantêm reservas significativas da criptomoeda. Atingida pela queda acumulada de mais de 50% desde outubro de 2025, a valorização dessas tesourarias já não consegue sustentar o modelo de emissão de ações para ampliar a posição em bitcoin.
Dados da plataforma bitcointreasuries.net mostram que 30 companhias com bitcoin no balanço operam com mNAV abaixo de 1, ou seja, o valor de mercado é menor que a reserva em caixa. Entre elas está a Strategy, pioneira no modelo.
Ações em queda abalam o conceito de tesouraria de bitcoin. Quando o preço da ação fica abaixo do valor em caixa em bitcoins, a emissão de papéis para comprar mais criptomoeda deixa de sustentar o crescimento.
Panorama global
A MicroStrategy, criada por Michael Saylor, usou ações e dívida para comprar bitcoin em 2020, apostando na alta da criptomoeda. A estratégia, que já levantou críticas, viu o estoque de bitcoins crescer com o tempo.
A estratégia gerou ganhos para investidores enquanto o bitcoin subia. Ao longo de cinco anos, as ações registraram valorização expressiva e a empresa passou a deter uma reserva de bitcoin estimada em US$ 53 bilhões.
Cenário latino-americano e brasileiro
No Brasil, a OranjeBTC surgiu com a promessa de ser a maior tesouraria de bitcoin da região, mas também registrou perdas desde o IPO reverse em outubro de 2025. As ações caíram cerca de 75% desde a estreia.
A Méliuz mantém o bitcoin como objetivo de tesouraria sem depender de novas emissões. Em contrapartida, a empresa segue gerando caixa com cashback, o que ajuda a sustentar valor agregado às reservas.
Desdobramentos e números
A OranjeBTC recorreu à recompra de ações para reduzir diluição, após o prêmio de mercado cair. A empresa também aceitou o resgate de debêntures conversíveis para conter novas emissões. O custo de aquisição médio é de cerca de R$ 593 mil por bitcoin no fim de março; a reserva valia R$ 356 mil por moeda com a queda recente.
A Strategy registrou venda de 32 bitcoins em maio, por US$ 2,5 milhões, para reforçar reservas em dólar e cumprir pagamentos de emissões de ações preferenciais. A operação foi recebida com cautela pelo mercado e ajudou a pressionar o preço do bitcoin.
No cenário externo, mais de 100 companhias com bitcoin no balanço mantêm esse ativo, mas a queda da criptomoeda derrubou o valor de mercado agregado. A comparação entre tesourarias puras e outras empresas evidencia diferentes impactos do ciclo bajista.
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