- Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade de 2026, passando a 65ª entre 70 economias avaliadas, ficando entre os nove piores.
- Especialista aponta fatores estruturais, como custo do capital elevado, altas taxas de juros e dificuldades para investir, como principais entraves à competitividade.
- O relatório aponta deterioração nos pilares de desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura; a trajetória da taxa Selic é citada como parte do problema.
- Entre os impactos, destacam-se endividamento maior, inadimplência elevada e restrições ao investimento produtivo, além de peso elevado do serviço da dívida no orçamento público (aproximadamente 46%).
- Mesmo com o quadro negativo, há pontos fortes como atração de investimento estrangeiro, potencial em energias renováveis e avanços da educação financeira no currículo escolar, que podem contribuir no médio prazo.
O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade de 2026, passando à 65ª posição entre 70 economias avaliadas. O resultado o coloca entre os nove últimos colocados, ao lado de Nigéria, Mongólia e Venezuela. A leitura é considerada pelo mercado como um retrato de estruturas frágeis.
Em entrevista à CNN Money, Carla Beni, conselheira do Corecon-SP, afirma que a queda reflete problemas estruturais persistentes. Ela cita custo de capital elevado, juros altos e dificuldades para investir como fatores que pesam sobre a competitividade.
Entre os componentes avaliados, houve deterioração em desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. A trajetória da taxa Selic foi destacada pela economista como parte da explicação para o quadro.
Durante a pandemia, a Selic chegou a 2% ao ano, subindo para 13,5% em 18 meses. O efeito foi maior endividamento corporativo e maior inadimplência, reduzindo a capacidade de investimento do setor produtivo, segundo a especialista.
Outro tema apontado envolve o peso do serviço da dívida pública no orçamento federal. Dados citados indicam que apenas 0,3% vão para ciência e tecnologia, enquanto quase 46% vão para juros e amortizações, limitando investimentos estratégicos.
Infraestrutura e orçamento
A restrição orçamentária também afeta investimentos em infraestrutura, um dos pilares do ranking. Carla Beni cita o PAC-3, cujo recurso seria remanejado para atender emendas parlamentares, dificultando planejamento de longo prazo.
A economista enfatiza que o crescimento de emendas nas últimas décadas intensificou disputas por recursos entre Executivo e Legislativo, comprometendo a execução de projetos estruturantes.
Pontos positivos e perspectivas
Apesar do desempenho negativo, o Brasil conserva vantagens. Atração de investimento estrangeiro, potencial em energias renováveis e boa posição em subsídios públicos aparecem entre os pontos fortes.
Beni ressalta ainda avanços na educação financeira, que passou a integrar currículos de escolas públicas e privadas. A expectativa é de melhoria gradual na preparação financeira da população e impactos positivos futuros na competitividade.
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