- A reforma econômica e do Estado em Cuba não transforma a ilha em economia capitalista, segundo o economista Maicon Cláudio da Silva, da UFRRJ, em avaliação publicada pela Agência Brasil.
- O especialista classifica as medidas como “desesperadas” para aliviar a economia cubana, com maior flexibilização de investimentos estrangeiros e de importações de mercadorias, em meio à dependência do turismo e da exportação de serviços médicos.
- O bloqueio dos EUA não afeta apenas o comércio entre Cuba e os norte‑americanos, mas também as relações com o mundo todo, prejudicando navios, empresas e mercados clientes da ilha.
- Grandes câmbios ocorreram após o endurecimento do bloqueio durante o governo Trump, com saídas de Cuba de empresas aéreas e redes hoteleiras internacionais, além da retirada de cartões de crédito como Visa e Mastercard.
- O programa de reformas, com mais de vinte medidas, visa incentivar o investimento estrangeiro direto, aumentar a autonomia de gestão das estatais e descentralizar decisões, mantendo foco na justiça social.
A reforma econômica e do Estado de Cuba, discutida nesta quinta-feira (18) na Assembleia Nacional, não amplia o capitalismo na ilha. Economista Maicon Cláudio da Silva, da UFRRJ, caracteriza as medidas como tentativa de contornar o bloqueio dos EUA, sem transformar o modelo econômico vigente.
Para o especialista, as mudanças reforçam ações já anunciadas, como flexibilização de investimentos estrangeiros e de importações. A economia cubana continua dependente de turismo e de serviços médicos para obter divisas.
Maicon explica que o bloqueio impacta Cuba em todas as relações internacionais. Navios com cargas para a ilha enfrentam restrições, e empresas que mantêm negócios com Cuba podem perder acesso ao mercado americano.
Reforma econômica em Cuba
Medidas previstas incluem alterações nas políticas fiscal, cambial e de comércio exterior, além de reforma do Estado e descentralização. A proposta busca maior autonomia de gestão das empresas estatais e participação de acionistas em empresas cubanas, com foco em turismo e imobiliário.
A ideia é manter a proteção social e reduzir desigualdades, segundo o texto discutido. Especialistas destacam que, mesmo com liberalização, não há incentivo para surgimento de uma burguesia sob o regime atual.
Contexto do bloqueio e impactos
O bloqueio dos EUA foi endurecido no final de 2025, com restrições ao petróleo vindo da Venezuela e sanções a setores de turismo, mineração e à estatal de petróleo. Consequências observadas incluem apagões, aumento de preços e redução de transporte público.
Moradores de Havana relataram dificuldades com o custo de vida e com a oferta de alimentos subsidiados. Observa-se que as medidas afetam o cotidiano, sobretudo na disponibilidade de bens básicos.
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