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Termelétricas a gás na América Latina: condicionantes para viabilização

Gás natural viabiliza termelétricas na América Latina, mas logística, custos elevados e contratos de longo prazo desafiam a viabilidade

Gás natural: termelétricas exigem logística e contratos de longo prazo para garantir potência firme.
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  • A expansão de fontes renováveis intermitentes aumenta a necessidade de flexibilidade, tornando as usinas a gás uma opção para estabilidade do sistema na América Latina.
  • A viabilidade depende não apenas da usina, mas de toda a cadeia de suprimento de gás, com diferentes modelos de abastecimento em cada país.
  • Exemplos: Argentina enfrenta gargalos logísticos; México expandiu geração via gasodutos; Chile, Panamá e El Salvador recorrem a gás natural liquefeito (GNL).
  • O Porto de Sergipe I, no Brasil, mostrou que o investimento inclui infraestrutura offshore de regaseificação, elevando o custo total para cerca de R$ 6,5 bilhões.
  • O Leilão de Reserva de Capacidade no Brasil indicou demanda por potência firme (em torno de quinze gigawatts) e aponta a necessidade de contratos de longo prazo ou mecanismos de remuneração previsíveis para viabilizar novos projetos.

À medida que a geração renovável cresce com maior intermitência, cresce também a necessidade de respaldo de fontes estáveis. Usinas a gás natural aparecem como opção para manter potência firme e facilitar a integração de solar e eólica na região.

A viabilidade de termelétricas a gás na América Latina depende de três pilares: suprimento confiável de gás, infraestrutura de entrega e remuneração adequada. A logística para levar o combustível até o parque é tão crítica quanto a construção da usina.

Em países como Argentina, México, Chile, Panamá e El Salvador, diferentes caminhos foram adotados: Vaca Muerta enfrenta gargalos logísticos; o México usa gasodutos conectados aos EUA; Chile, Panamá e El Salvador importam GNL. Cada modelo envolve custos, contratos e regulação específicos.

Custo e infraestrutura

O Porto de Sergipe I no Brasil é exemplo de arranjo com terminal offshore de regaseificação, conectando geração a gás a uma usina próxima. No Panamá, a Costa Norte seguiu lógica semelhante para viabilidade de geração junto ao canal. O custo total do Porto de Sergipe I, incluindo a usina e o sistema offshore, foi estimado em cerca de R$ 6,5 bilhões.

A demanda por turbinas e infraestrutura de GNL eleva o CAPEX de novos projetos. Longos horizontes de investimento exigem previsibilidade de remuneração para a usina. Em mercados como Brasil e Chile, isso ocorre via leilões com contratos de longo prazo; em outros, por acordos com estatais ou pagamentos por disponibilidade de capacidade.

Remuneração e perspectivas

Desenvolver uma usina a gás na região envolve gestão de riscos de suprimento, logística, prazos e remuneração. O recente Leilão de Reserva de Capacidade no Brasil contratou cerca de 15 GW em termelétricas a gás, evidenciando a demanda por potência firme. A discussão sobre o modelo de remuneração ideal ainda não tem resposta única.

A valoração dos atributos da energia a gás — disponibilidade, flexibilidade e confiabilidade — é essencial para o progresso do setor. Mecanismos de receita estáveis e previsíveis são considerados cruciais para atrair investimentos na região.

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