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Trabalhadores da economia de gig sofrem exploração; IA pode ampliar precarização

À medida que a IA substitui tarefas, empresas reduzem empregos formais e recorrem a gig workers, ampliando riscos às proteções trabalhistas

‘There’s no evidence that jobs go away, but there is a lot of evidence that as soon as you can dismantle full-time employment, companies will do that.’ Illustration: Raven Jiang/The Guardian
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  • A Klarna reduziu centenas de vagas de atendimento ao cliente em 2024 e passou a usar um chatbot; no ano seguinte, voltou a contratar trabalhadores humanos, em um modelo similar ao Uber, com IA cuidando das dúvidas básicas e trabalhadores temporários tratando as questões mais complexas.
  • Especialistas dizem que a IA pode substituir partes de quase todos os empregos, levando empresas a diminuir o número de funcionários em tempo integral e a aumentar a contratação por meio de trabalhadores de gig ou contractors.
  • A Human Rights Watch aponta que o trabalho gig costuma tirar proteções básicas, como salário mínimo, licença remunerada e seguro, e estima que cerca de 60 milhões de norte-americanos já trabalham como freelancers, com previsão de chegar a 86 milhões até 2027; o segmento de trabalhadores do conhecimento cresce mais rápido.
  • Setores como enfermagem também recorrem a plataformas alimentadas por IA, com várias redes substituindo parte do quadro por trabalhadores contratados; em pelo menos 17 estados, plataformas de enfermagem são isentas de várias regulamentações, o que reduz proteções e aumenta a remuneração variável.
  • Há intensificação de mobilização sindical em resposta: trabalhadores da saúde fizeram greve em Califórnia contra IA e terceirização; funcionários de TI na Universidade da Califórnia começaram a se organizar, buscando maior controle sobre o uso de IA; propostas públicas discutem benefícios universais e padrões trabalhistas globais via Organização Internacional do Trabalho.

In 2024, a compra a prazo Klarna anunciou a redução de centenas de vagas no suporte ao cliente e a adoção de um chatbot de inteligência artificial. Em 2025, queixas de clientes sobre a qualidade fizeram a empresa recontratar atendentes humanos, mas de forma indireta. O suporte continua majoritariamente automatizado, com trabalhadores terceirizados para lidar com casos mais complexos, em um modelo semelhante ao de plataformas tipo Uber.

O que mudou foi a forma de contratação. A Klarna descreveu o esquema como similar a Uber, com trabalhadores independentes assumindo tarefas mais avançadas enquanto a IA cuida do atendimento básico. O objetivo alegado era reduzir custos e manter eficiência no atendimento.

O debate sobre IA e trabalho envolve números expressivos. A Human Rights Watch aponta impactos globais, com trabalhadores sem salário mínimo, sem aviso prévio de mudanças e sem proteção trabalhista básica. Os relatórios destacam que muitos trabalham sem garantia de remuneração adequada.

Estudos indicam que o conhecimento sobre a gig economy cresce, com trabalhadores de setores diversos. Pesquisas indicam que cerca de 60 milhões de estadounidenses já atuam como freelancers ou gig workers, com expectativa de chegar a 86 milhões em 2027. A maior parcela cresce entre profissionais de conhecimento, como analistas, redatores e programadores.

A transição para o trabalho sob contrato e o uso de plataformas de IA visam reduzir custos. Pesquisadores ressaltam que a automação facilita a fragmentação da força de trabalho, abrindo espaço para menos empregos formais e mais contratos.

Desafios e respostas dos trabalhadores

Alguns casos de mobilização ocorreram em março, com trabalhadores da saúde em Califórnia reivindicando contratações mais estáveis e limites às plataformas habilitadas pela IA. Em maio, profissionais de TI da University of California buscaram sindicalização para ganhar mais controle sobre o uso da IA em seus cargos.

Especialistas apontam a necessidade de políticas públicas mais amplas. Propostas incluem garantias básicas para todos, como assistência médica universal, e regras claras para contratados independentes. Uma eventual governança global poderia padronizar salários e segurança no trabalho.

Pesquisadores concordam que a evolução econômica pode exigir normas fortes antes que o modelo se torne irreversível. O diálogo entre governos, empresas e trabalhadores é visto como essencial para evitar retrocessos significativos nas proteções laborais.

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