- O Brasil caiu sete posições no ranking mundial de competitividade deste ano, passando do 58º para o 65º lugar entre 70 países.
- O levantamento avalia cerca de trezentos aspectos, como educação, custo de capital e desempenho do governo e das empresas.
- Mesmo com desemprego em patamar historicamente baixo, a mudança aponta fragilidades em educação e custo de capital que dificultam atrair investimentos.
- Os primeiros colocados incluem Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos, seguidos por Dinamarca, Irlanda, Países Baixos, Suécia e Estados Unidos, que têm educação de qualidade e menor custo de capital.
- Na base do ranking, o Brasil fica atrás de Gana e Eslováquia, próximo de México, Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela, com o custo de capital visto como problema estratégico e uma espiral negativa para o crescimento.
O Brasil caiu sete posições no ranking mundial de competitividade deste ano, passando do 58º para o 65º lugar entre 70 países. O recuo acende alerta sobre a capacidade de atrair investimentos, empresas e gerar empregos.
O levantamento avalia cerca de 300 itens, incluindo educação, custo de capital, desempenho do governo e das empresas. A queda ocorreu mesmo com crescimento econômico e desemprego em patamares baixos.
Segundo a analista Lucinda Pinto, a deterioração ocorre em um momento de aquecimento do mercado de trabalho. Ela afirma que a competitividade depende de aspectos que ainda não apresentaram melhoria suficiente.
Esse índice mede a capacidade dos países de atrair investimento, empresas, negócios e empregos, conforme a especialista. Entre os primeiros colocados estão Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos.
A avaliadora aponta que, além de educação de qualidade, há necessidade de maior investimento em tecnologia e inovação, bem como um custo de capital menor. Esses fatores são vistos como fragilidades do Brasil.
Na parte inferior do ranking aparecem Gana, Eslováquia e México, com o Brasil ficando próximo de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
Custo de capital e previsibilidade
Para Lucinda Pinto, o custo de capital é um problema estratégico e estrutural. Ela descreve uma espiral negativa: educação ruim dificulta crescimento e, sem ele, o país depende de juros altos para atrair capital.
A analista destaca ainda que os países mais competitivos costumam ter previsibilidade e visão de futuro claras, características que o Brasil deixa a desejar.
Hugo Tadeu, da Fundação Dom Cabral, concorda com a leitura ao afirmar que o custo de fazer negócios no Brasil está alto e dificulta investimentos, inclusive de empresas nascientes.
A dupla de especialistas aponta que essa conjuntura explica por que o capital estrangeiro que chega à bolsa brasileira nem sempre se transforma em investimento produtivo de longo prazo.
Segundo eles, em cenário de disputa global por IA e tecnologia, o Brasil corre o risco de ficar para trás nesse ciclo de investimentos produtivos.
Entre na conversa da comunidade