- A BYD tenta reverter decisão governamental para reativar as cotas de importação de veículos elétricos livres de impostos, que expiraram em janeiro, buscando manter a isenção para kits de veículos.
- Em julho, veículos elétricos e híbridos importados montados ou desmontados passam a ter alíquota de 35%, e a BYD quer que esse imposto seja adiado para a entrada de carros totalmente prontos.
- A chances de mudança dependem da reunião extraordinária do Comitê de Alterações Tarifárias (CAT) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) marcada para esta sexta-feira, 19; sem aval do CAT, o pleito não segue ao Comitê Executivo de Gestão (Gecex).
- A BYD também busca ampliar incentivos do ICMS no Ceará/Bahia e quer mais tempo para produzir com menos importação de componentes, para obter benefícios federais.
- A empresa já havia iniciado circulação de uma atuação em maio com o governo baiano e mantém a promessa de criação de 10 mil empregos diretos na fábrica até o fim do ano, com atual ritmo próximo de 5 mil.
A BYD estuda reverter decisão do governo para reativar as cotas de importação de veículos elétricos livres de impostos, expiradas em janeiro. A medida faz parte de uma tentativa de manter os carros importados com preços competitivos no Brasil. A fabricante busca também adiar o imposto para carros totalmente prontos.
A tentativa ocorre após reunião do CAT da Camex prevista para esta sexta-feira, 19, cuja pauta não foi tornada pública. Sem aval do CAT, o pleito não pode ser submetido ao Gecex, órgão que decide tarifas e instrumentos de política comercial.
O Gecex é quem define as tarifas de importação, cotas e demais instrumentos. Uma vez aprovada a isenção e as cotas, a medida vale automaticamente, segundo o entendimento atual do governo.
A BYD já desfruta de incentivos de ICMS no estado da Bahia, onde mantém fábrica, e busca ampliar o prazo para fabricar veículos com maior conteúdo local, ampliando benefícios federais. No momento, os carros importados chegam quase prontos.
Contexto e histórico
A ação da BYD teve início em 20 de maio, quando o presidente da BYD Brasil, Tyler Li, acompanhou o governador baiano Jerônimo Rodrigues a uma audiência com o vice-presidente Geraldo Alckmin, então ministro do MDIC. A BYD pediu a retomada da isenção das cotas.
Pessoas presentes afirmam que a BYD foi clara ao pleitear a reativação do benefício. Técnicos do governo defenderam a decisão anterior, enquanto o governador baiano disse que o tema deveria ser tratado pelo Planalto.
Em janeiro, o benefício de cotas com alíquota zero expirou. O governo, após acalorada disputa, concedeu o benefício por seis meses e adiou de 2027 para 2026 a alta da alíquota sobre veículos elétricos completos.
Panorama competitivo
Outras montadoras chinesas avançam com fabricação local no Brasil, com parcerias instaladas no país. Stellantis produzirá Leapmotors em Pernambuco a partir de 2027; Renault Geely começará a fabricar EX2 e EX5 no Paraná ainda neste ano. Caoa produz Uni-T com Changan em Goiás.
A General Motors iniciou a produção do Spark no Ceará e planeja ampliar com o Captiva elétrico, priorizando maior nacionalização de componentes ao invés de importação.
Situação institucional
Nesta semana, o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, alertou sobre possível reajuste de preços se benefícios de importação não voltarem. Modelos como Seal, Sealion e Atto 8 aparecem entre os citados. A empresa informou planos de criar 10 mil empregos diretos até o fim do ano, mantendo cerca de 5 mil atuais. Baldy não respondeu a consulta.
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