- Cade publicou nota técnica com benchmarking internacional para monitorar riscos de concorrência no delivery de comida brasileiro, citando países como Argentina, Austrália, União Europeia, Japão e Reino Unido.
- Principais pontos de atenção: cláusulas de exclusividade, paridade de preços (MFN), uso de algoritmos para punir parceiros e subsídios agressivos financiados por grandes reservas de capital.
- O estudo destaca a entrada de novos players no Brasil, como a Keeta (Meituan) e o retorno da 99Food, em um mercado ainda dominado por iFood e Rappi.
- Região em foco pelo Cade inclui cinco municípios: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Santos e São Vicente; em 2025 houve instauração de procedimento administrativo pela Superintendência-Geral.
- Keeta afirma trabalhar por um mercado aberto e competitivo; iFood e 99Food não se manifestaram até o fechamento da matéria.
O Cade anunciou que acompanha de perto o mercado brasileiro de delivery de comida. Em junho de 2026, o órgão publicou uma nota técnica que analisa casos internacionais para apoiar a vigilância da concorrência no Brasil. O estudo compara atividades regulatórias de mais de uma dezena de países.
O documento, elaborado pelo Departamento de Estudos Econômicos do Cade (DEE/Cade), aponta práticas que costumam gerar preocupação entre reguladores. Entre elas estão cláusulas de exclusividade, paridade de preços e uso de algoritmos para punir parceiros, além de subsídios agressivos financiados por grandes reservas de capital.
A análise se conecta à entrada de novos concorrentes globais no Brasil, como a Keeta, marca da Meituan, e o retorno da 99Food da DiDi, em um cenário ainda dominado por iFood e Rappi. O Cade instaurou o procedimento em novembro de 2025, com foco em cinco municípios.
O que está em jogo
No estudo, o Cade ressalta mecanismos que vão além de cláusulas contratuais, incluindo sanções que podem ser aplicadas por ajustes em algoritmos. A comparação internacional serve para identificar riscos ainda não plenamente percebidos no Brasil.
Casos da China, Sérvia, Hong Kong e Finlândia são citados para ilustrar práticas de exclusividade, uso de dados e condutas que afetam preços. O relatório enfatiza a importância de auditorias de dados e de código como ferramentas de fiscalização.
MFN e subsídios
O documento também discute cláusulas de “nação mais favorecida” (MFN), que restringem varejo direto dos restaurantes e podem frear a competição entre plataformas. A prática pode elevar custos para estabelecimentos e reduzir incentivos a investir em canais próprios.
Riscos associados a subsídios agressivos, viabilizados por empresas com grande capital, são destacados como ameaça à competição. Estudos da OCDE são usados para justificar a preocupação com estratégias de expansão que possam eliminar rivais.
Fusões, participações e concentração
A nota cita casos globais de controle de estruturas e participação minoritária como fatores de concentração de mercado. A Europa já multou Delivery Hero e Glovo por coordenação de atuação, mesmo como concorrentes formais.
No Brasil, o Cade analisa o uso de vínculos entre plataformas, incluindo investidas em serviços de vales-benefício, para identificar possíveis favorecimentos a marcas próprias. O órgão busca entender impactos no ecossistema.
Reação das empresas
Procuradas pela Bloomberg Línea, iFood e 99Food não se manifestaram até o fechamento desta matéria. A Keeta enviou nota informando que busca um mercado aberto e competitivo para o delivery de comida no Brasil.
A assessoria da Keeta afirmou que a empresa atua para ampliar a liberdade de escolha dos restaurantes e melhorar condições para entregadores e consumidores. A nota afirma ainda o compromisso com um ecossistema mais transparente.
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