- Dólar fechou em R$ 5,172, alta de 1,32%, enquanto o barril de petróleo ficou abaixo de US$ 80.
- O real ficou entre as moedas emergentes mais desvalorizadas, com investidores atento ao acordo entre Estados Unidos e Irã.
- Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano.
- O Copom elevou as projeções de inflação, estimando IPCA de 5,2% para o fim deste ano e 3,7% para o horizonte de 2027.
- Mesmo assim, o comitê deixou em aberto a possibilidade de novos cortes na Selic na próxima reunião, diante da incerteza econômica.
O cenário externo segue pressionando o dólar, enquanto o real voltou a registrar desvalorização. A semana trouxe sinais de que investidores estão mais atentos ao ambiente internacional do que a movimentos locais, mesmo após o Banco Central reduzir a Selic.
A atenção está voltada para o possível acordo de paz entre EUA e Irã. A perspectiva de avanços no Oriente Médio contribuiu para a alta do dólar e para a queda de moedas emergentes, incluindo o real, em sessão marcada por volatilidade.
O dólar encerrou o dia em alta de 1,32%, cotado a 5,172 reais na venda. No acumulado semanal, a divisa subiu 2,25% e, no mês, 2,62%. O petróleo ficou abaixo de 80 dólares o barril.
A Bolsa de SP fechou em queda de 0,1%, aos 168.277 pontos, enquanto Nova York operou no positivo. Nasdaq avançou 1,91% e Dow Jones subiu 0,14%. O movimento refletiu a manutenção da taxa americana entre 3,50% e 3,75%.
Analistas destacam o impacto do Copom no humor do mercado. Economistas apontam que a sinalização de novas quedas da Selic depende de inflação e dados futuros, avolumando a percepção de eventual aperto monetário nos EUA.
Para o mercado, a reunião do Copom abriu espaço para uma nova redução de 0,25 ponto na Selic na próxima reunião, diante da piora das projeções de inflação. O IPCA projetado para o fim deste ano subiu, conforme o comitê atualizou as estimativas.
Segundo o economista Roberto Padovani, do Banco BV, o Copom aumenta a percepção de alta de juros no exterior diante de incertezas globais. Ele ressalta que investidores têm desfeito posições no real desde a notícia sobre o acordo no Oriente Médio.
Já Gustavo Cruz, da RB Investimentos, aponta divisão entre os participantes do mercado sobre os próximos passos do BC. Ele espera que haja pelo menos mais um corte, mas reconhece que a atenção permanece no cenário externo.
Os especialistas destacam ainda que o BC revisou suas expectativas inflacionárias, com o IPCA projetado para este ano subindo para 5,2% e o teto de 2027 para 3,7%. Em abril, os números eram de 4,6% e 3,5%, respectivamente.
A piora das projeções reflete choques de oferta com alta de petróleo e impactos no custo de energia. Economistas lembram que a trajetória da inflação pode influenciar a condução da política monetária ao longo do ano.
Para o professor José Francisco Lima Gonçalves, da USP, a dinâmica entre juros e dólar depende dos dados futuros. Ele afirma que o espaço para novos cortes ainda depende de informações que virão nas próximas reuniões.
O Tesouro Nacional indica que, de janeiro a abril, as despesas cresceram 14% acima da inflação, enquanto as receitas avançaram 4%. A sobras de gastos em ano eleitoral aumenta a complexidade fiscal e pressiona o cenário macro.
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