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Comunicado do BC após Copom gera dúvidas sobre juros, afirma ex-diretor

Ex-diretor afirma que o BC postergou a definição da trajetória da política monetária para agosto, deixando dúvidas no mercado sobre inflação e câmbio

Foto: Werther Santana/ Estadão
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  • O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa Selic para 14,25% na reunião de 17 de junho.
  • O ex-diretor do Banco Central, José Júlio Senna, afirma que o BC adiou a decisão sobre a calibração da política monetária para a reunião de agosto, avaliando trajetórias alternativas.
  • Simulações indicam que, mantendo a Selic atual, a inflação projetada ficaria acima da meta; com trajetória Focus, ficaria em 3,7%, enquanto com Selic constante em torno de 14,50% a projeção é de 3,3% para o quarto trimestre de 2027.
  • O BC sinaliza que irá considerar trajetórias alternativas para convergir a inflação à meta sem prejudicar a atividade econômica, e que precisa esclarecer pontos do comunicado.
  • O cenário externo, com o Federal Reserve mais austero, pode exercer pressão sobre o dólar; avanços reservados ocorrem com a ata prevista para 23 de junho e entrevista coletiva dos dirigentes no dia 25.

O Banco Central deixou dúvidas sobre o caminho da política monetária após o Copom reduzir a Selic para 14,25% na reunião de junho. O foco é entender a estratégia futura e as trajetórias que promovem convergência da inflação sem comprometer a atividade econômica.

José Júlio Senna, ex-diretor do BC e chefe do Centro de Estudos Monetários da FGV/Ibre, afirma que a decisão essencial ficou para agosto. Segundo ele, o BC sinalizou escolher entre trajetórias de calibração, não apenas um nível único de juros.

Na prática, aponta o analista, o BC empurrou a decisão para a próxima reunião, avaliando caminhos alternativos para alcançar a meta de inflação. A incerteza permanece sobre o tamanho necessário de cortes futuros.

A entrevista do Estadão mostrou que, se manterem a trajetória atual, a projeção de inflação para o quarto trimestre de 2027 fica acima da meta, sugerindo que ajustes adicionais podem ser necessários. Ou não.

No comunicado do Copom, o BC não definiu a magnitude total do ciclo de calibração, indicando que novas informações determinarão se haverá novas quedas ou ajustes. Isso alimenta o debate sobre o rumo da política monetária.

Essa pósposição ocorre em um contexto externo de sinais de aperto do Federal Reserve, o que aumenta a pressão de queda de juros daqui versus a austeridade externa. O atraso na decisão brasileiro intensifica a volatilidade cambial.

Desdobramentos e impactos

Especialista aponta que o dólar pode enfrentar pressão caso as expectativas de inflação não se clarifiquem. O mercado observa com cautela o desenrolar da estratégia de calibração do BC para evitar desancoragem inflacionária.

Senna destaca que a diferença entre trajetórias alternativas não é apenas um nível de juros, mas o caminho que o BC seguirá para convergir para a meta com menor custo à atividade econômica. A clareza é vista como essencial.

Entre as próximas oportunidades, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o diretor Paulo Picchetti devem falar na coletiva sobre o relatório de política monetária na próxima semana. A ata da reunião será publicada na terça-feira.

O ex-diretor ressalta que a análise envolve também o efeito de políticas fiscais e parafiscais sobre a transmissão da política monetária. Ele alerta para o risco de que expectativas de inflação fiquem mais elevadas sem resposta firme.

O tom da entrevista reforça que o Copom ainda não fechou o diagnóstico de como chegar à convergência da inflação com o mínimo dano à atividade. O mercado aguarda sinais mais claros sobre as trajetórias de juros.

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