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Criminosos movimentaram R$ 1 trilhão em criptomoedas em 2025, aponta estudo

Relatório aponta amadurecimento da lavagem de dinheiro por criptomoedas; US$ 154 bilhões recebidos em 2025, R$ 800 bilhões, com o Brasil como maior mercado da região

O Brasil é o maior mercado de criptomoedas da América Latina e um dos mais dinâmicos do mundo
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  • Crimes organizados movimentaram quase R$ 1 trilhão ilegalmente por meio de criptomoedas em 2025, um aumento de 161% em relação a 2024.
  • O valor total on‑chain ilícito foi de US$ 154 bilhões (cerca de R$ 800 bilhões) em 2025, subindo de US$ 59 bilhões em 2024.
  • O Brasil é o maior mercado de criptomoedas da América Latina, com US$ 318 bilhões on‑chain entre julho de 2024 e junho de 2025 (aproximadamente R$ 1,64 trilhão).
  • As três principais categorias globais de lavagem que aparecem no Brasil são redes de lavagem em língua chinesa (CMLNs), evasão de sanções e tráfico de drogas; exchanges brasileiras estão conectadas à infraestrutura global de lavagem.
  • Entrou em vigor, em 2 de fevereiro de 2026, um novo regime de autorização para empresas de criptomoedas, com obrigações de reporte desde 4 de maio e licenciamento até 29 de outubro; o regime será o principal teste para o Banco Central e para as exchanges.

O crime organizado movimentou quase R$ 1 trilhão em recursos ilegais por meio de criptomoedas em 2025, em escala global. O dado representa um aumento de 161% frente a 2024, segundo um relatório da Chainalysis, empresa líder em inteligência de blockchain. O estudo aponta um amadurecimento das ameaças associadas à lavagem de dinheiro no setor.

A análise aponta que a atividade ilegal on‑chain ficou mais profissional desde 2020, com organizações criminosas estruturando infraestrutura compartilhada e atores estatais ingressando no ecossistema em escala sem precedentes. O valor total recebido por endereços ilícitos atingiu US$ 154 bilhões em 2025, cerca de US$ 800 bilhões em reais, ante US$ 59 bilhões em 2024.

Segundo a Chainalysis, o Brasil aparece em evidência dentro de um panorama global com três categorias dominantes na lavagem de dinheiro por cripto. Redes de lavagem operadas em língua chinesa oferecem serviço de lavagem, com participação crescente de atores estatais; evasão de sanções por estados nacionais teve forte crescimento; e o tráfico de drogas, via mercados da darknet, continua estável ao longo dos anos, com ressonância regional na América Latina.

Brasil na mira do câmbio ilegal

O Brasil é o maior mercado de criptomoedas da América Latina e figura entre os mais dinâmicos mundialmente. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país recebeu US$ 318 bilhões on‑chain, equivalente a cerca de um terço de todo o valor na região. O relatório ressalta o risco de convergência entre as principais ameaças no território brasileiro.

Entre os principais pontos destacados, está o uso comprovado de criptomoedas nas operações de facções brasileiras, conectando exchanges locais à infraestrutura global de lavagem de dinheiro. Fluxos envolvendo entidades sujeitas a sanções internacionais, sobretudo em 2024 e 2025, também aparecem com maior visibilidade. Serviços de garantia ligados a fraudes surgem como outra dimensão relevante para 2025.

A reportagem também cita que o Brasil atua como corredor de trânsito de drogas e como mercado de destino para cocaína na América do Sul, reforçando a vulnerabilidade do ecossistema local. A integração de serviços criminais com o mercado nacional é destacada como uma tendência a acompanhar.

Impactos regulatórios e próximos passos

A Chainalysis aponta que a mudança regulatória no Brasil pode testar a atuação de autoridades e do setor. Um novo regime para empresas de criptomoedas entrou em vigor em fevereiro de 2026, com obrigações de reporte regulamentar desde maio e licenciamento previsto para outubro. As normas visam monitorar e interromper fluxos ilícitos.

Segundo o estudo, esse cenário exige maior coordenação entre o Banco Central, responsável pela supervisão, e as exchanges, custodiante e intermediários. A expectativa é que o regime sirva como primeiro grande teste de conformidade para o ecossistema brasileiro frente às atividades descritas no relatório global.

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