- O Parlamento de Cuba aprovou por unanimidade um pacote de 176 medidas para ampliar o espaço do setor privado, apresentado pelo primeiro-ministro Manuel Marrero durante sessão extraordinária da Assembleia Nacional do Poder Popular na quinta-feira, 18.
- As mudanças abrangem câmbio, agricultura, turismo, sistema bancário, tributação, investimentos, salários e funcionamento das empresas, incluindo a transformação de estatais em sociedades comerciais.
- Entre as medidas estão: permitir que empresas privadas tenham mais de 100 funcionários, participação de capital estrangeiro e abertura de contas em moeda estrangeira; ampliação de investimentos privados nacionais e internacionais.
- Os cubanos poderão possuir mais de um negócio, atuar em diferentes empresas e negociar salários dentro das próprias companhias.
- Economistas divergem sobre o alcance: há avaliação de que é a maior transformação desde a Revolução de 1959, mas há dúvidas sobre a continuidade das medidas e possíveis recuos no futuro. O governo afirma que as reformas corrigem distorções sem abandonar o socialismo, e não foi divulgado cronograma de implementação.
O Parlamento de Cuba aprovou por unanimidade um pacote amplo de reformas econômicas que amplia o espaço para a iniciativa privada no país. A sessão extraordinária da Assembleia Nacional ocorreu na quinta-feira (18) e foi apresentada pelo primeiro-ministro Manuel Marrero. O governo diz que as mudanças visam estimular a atividade econômica sem abandonar o modelo socialista.
As 176 medidas do conjunto abrangem áreas como câmbio, agricultura, turismo, sistema bancário, tributação, investimentos, salários e funcionamento de empresas. O objetivo é enfrentar a crise econômica mantendo o controle estatal sobre setores estratégicos.
O que muda com as reformas
Entre as principais medidas estão: transformação de estatais em sociedades comerciais; autorização para empresas privadas terem mais de 100 funcionários; participação de capital estrangeiro em empresas privadas; abertura de contas em moeda estrangeira por pessoas físicas; ampliação de investimentos privados, nacionais e internacionais, em agricultura, turismo, bancos e câmbio.
Cubanos poderão possuir mais de um negócio e atuar em várias empresas, além de negociar salários dentro das próprias organizações. O pacote também autoriza maior flexibilidade para gestão de mão de obra e de recursos.
Economistas divergem sobre o alcance. O economista Daniel Torralbas diz que é a maior transformação desde 1959, fortalecer o setor privado. Já o cientista Daniel Pedreira ressalta dúvidas sobre continuidade das medidas.
O governo sustenta que as reformas mantêm o socialismo, corrigindo distorções sem mudar o modelo. O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que não se trata de resposta à pressão externa, mas de ajustes para corrigir rumos.
As mudanças surgem em meio à crise econômica, com escassez de produtos, dificuldades de abastecimento de combustíveis, apagões e baixa disponibilidade de divisas. O governo atribui parte da crise ao embargo e a restrições de petróleo.
O governo não divulgou cronograma detalhado de implementação nem sinalizou alterações no sistema de partido único, liderado pelo Partido Comunista. Informações oficiais destacam que as medidas visam estabilizar a economia.
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