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Economia do Irã deve levar anos para se recuperar após a guerra

Economia iraniana deve levar anos para se recompor; inflação alimentar atinge 131%, milhões perdem empregos e recorrem a parcelar compras de carne e pão

Pessoa com capuz escuro segura uma garrafa laranja enquanto está entre prateleiras cheias de produtos em corredor de supermercado. Carrinho de compras parcialmente cheio está ao lado.
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  • A inflação de alimentos no Irã chegou a 131% no último ano, e parcela da população tem azeitar compras de carne e pão; o desemprego pode ter alta de até 2 milhões de pessoas.
  • O memorando de entendimento com os Estados Unidos prevê 60 dias de negociações para um acordo final, com incentivos significativos — possivelmente até US$ 300 bilhões em investimentos — se o Irã cooperar.
  • Decisivos danos provocados por ataques a fábricas, refinarias, siderúrgicas e ao maior complexo petroquímico do Irã pesam sobre a economia; o Irã suspendeu exportações petroquímicas desde abril.
  • A recuperação de energia pode custar até US$ 19 bilhões, e a conta total de danos pode chegar a US$ 144 bilhões, conforme estimativas de especialistas; as exportações de petróleo caíram e as importações enfrentaram bloqueios.
  • Desafios adicionais incluem atraso nas importações, queda de carregamentos na ilha de Kharg, aumento do custo de vida e a possibilidade de abertura financeira depender de desobstrução de sanções e de decisões políticas nos EUA.

O regime iraniano enfrenta uma recuperação econômica de longo prazo, após anos de guerra e bloqueios. A inflação de alimentos chegou a 131% no último ano, pressionando famílias a parcelar carne e pão. A guerra e sanções ajudaram a derrubar a produção.

Um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã abriu o caminho para negociações de 60 dias, com incentivos potenciais de até US$ 300 bilhões em investimentos, caso o Irã coopere. O ponto final ainda é incerto.

A guerra destruiu infraestrutura, com ataques a fábricas, refinarias e ao maior complexo petroquímico do país. Navios de guerra bloquearam portos, agravando quedas de exportação e levando ao aperto de liquidez na economia.

Cerca de 3.000 contêineres destinados ao Irã ficaram retidos em portos paquistaneses desde abril. As importações de grãos diminuíram cerca de 40%, sinalizando dificuldades logísticas e de suprimento.

Dados oficiais indicam aumento do desemprego, com estimativas de até 2 milhões de vagas perdidas, o que representa até 7% da força de trabalho. A população mais vulnerável é quem mais sente o peso da crise.

Em maio, o jornal Donya-e Eqtesad informou que candidaturas para uma única vaga no JobVision dobraram para 360, refletindo a pressão no mercado de trabalho. Empresários em Teerã destacaram o desafio da subsistência.

Parte do dano econômico decorre de decisões internas: bloqueio parcial da internet durante protestos de janeiro reduziu a conectividade e dificultou negócios. A conectividade foi retomada apenas em maio.

O varejo online, como a plataforma Digikala, cortou 3% de funcionários. Já a produção industrial ficou sujeita a interrupções, com o setor petroquímico sob restrições após ataques estrangeiros.

O governo iraniano suspendeu exportações petroquímicas após os ataques, agravando a queda de receitas não petrolíferas. Analistas estimam custos de reconstrução entre US$ 19 bilhões (energia) e US$ 144 bilhões no total, segundo fontes especializadas.

Com o memorando assinado, há expectativa de suspensão de bloqueios e alívio de sanções. A ideia é buscar recursos para reconstrução e estabilização da economia, ainda sujeita a muitos dilemas políticos.

O acordo é visto como potencialmente lucrativo para o regime, mas enfrenta resistência interna e externa. Investidores externos permanecem receosos, diante da complexa estrutura de controle estatal e sanções.

Analistas ressaltam que o caminho dependerá de desmantelar barreiras legais e políticas, além de garantias sobre a governança e a segurança de investimentos. A negociação permanece em curso, com tensões entre Washington e Teerã.

Texto do The Economist, traduzido por Sidney Fontinele, com base em informações de fontes abertas e dados de mercado. O artigo completo está disponível em publicações internacionais.

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