- Flávio Bolsonaro apresentou o plano de segurança pública na Faria Lima, em São Paulo, pedindo unidade do mercado financeiro para sufocar fintechs usadas pelo crime organizado.
- O objetivo é asfixiar organizações narcoterroristas e fintechs de fachada, com a participação de aliados como Sérgio Moro e Guilherme Derrite.
- A operação Carbono Oculto revelou que havia cerca de R$ 30 bilhões em aproximadamente 40 fundos na Faria Lima, com fintechs funcionando como bancos paralelos por meio de contas-bolsão.
- A segunda fase, Fluxo Oculto, mostrou reorganização do esquema: o PCC moveu R$ 26 bilhões entre 2022 e 2024, transferindo cerca de R$ 4 bilhões para as novas fintechs-alvo.
- O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal apontam estruturas com três a seis fintechs, além de laranjas e fundos, com movimentação de recursos e criptoativos suspeitos; ações ocorreram em cinco estados.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou nesta quinta-feira um plano de segurança pública na cidade de São Paulo, pedindo apoio do mercado financeiro para sufocar fintechs utilizadas pelo crime organizado. O objetivo é frear atividades de organizações criminosas com uso de serviços financeiros não convencionais.
O evento foi realizado no teatro B32, na avenida Faria Lima, um ponto conhecido pela presença de investidores institucionais. A apresentação integrou o que o pré-candidato designou como plano de 12 itens, com foco em ações de repressão e cooperação entre setores público e privado.
Participaram do ato aliados do PL e do Progressistas, incluindo Sérgio Moro (PL-PR) e Guilherme Derrite (PP-SP), que antes ocupavam cargos no governo de SP. Derrite reforçou a ideia de ações conjuntas para impedir o uso do sistema financeiro por criminosos.
Em SP, o tema das finanças ilícitas ganhou relevância após operações que apontaram infiltração do PCC no mercado financeiro. Segundo as autoridades, as fintechs de fachada atuavam como bancos paralelos, movendo recursos para ocultação de beneficiários.
A primeira ofensiva, batizada Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, identificou cerca de 40 fundos sediados na Faria Lima e levantou R$ 30 bilhões em movimentação. Os recursos eram lavados por fintechs e aplicados em fundos multimercado e imobiliários.
Há indícios de uso de contas-bolsão para facilitar a ocultação de fluxos de recursos. Uma fintech envolvida chegou a movimentar mais de R$ 46 bilhões em quatro anos. O Banco Central reconheceu medidas contra esse modelo, com a gestora Reag entre as investigadas.
A segunda fase, Fluxo Oculto, ocorreu em maio deste ano, mostrando reorganização da estrutura financeira pelo PCC. O grupo ampliou de três para seis fintechs, expandindo camadas de operações para diluir a origem dos recursos.
Estima-se que as fintechs envolvidas tenham movimentado aproximadamente R$ 26 bilhões entre 2022 e 2024. Houve, ainda, transferência de cerca de R$ 4 bilhões entre as plataformas atingidas na primeira fase e as novas envolvidas na segunda.
O Ministério Público de SP aponta abertura de fintechs em nomes de laranjas, com capital social formado por títulos sem lastro. A investigação também identificou convergência entre criminosos dentro do mesmo sistema financeiro, configurando um possível duto do crime organizado.
A Receita Federal informou que três das seis instituições não apresentaram contas sobre investimentos e que outras três declararam movimentação próxima de R$ 8 bilhões em 2025, além de R$ 365 milhões em criptoativos sob suspeita. Quatro fundos passaram a ser alvo direto do inquérito.
Ao todo, a Fluxo Oculto realizou 55 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. As autoridades ressaltam que o quadro envolve múltiplas frentes, com impactos no monitoramento financeiro.
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