- Linconl Rocha apresenta o conceito M.AI.Bundling, defendendo que a IA pode se tornar a principal interface entre consumidores e bancos.
- A ideia é que o consumidor seja representado por um agente de IA, que pesquisa, negocia e seleciona as melhores condições em todo o mercado, dispensando a abertura de apps bancários.
- O Open Finance, regulado pelo Banco Central desde 2021, oferece a base para o compartilhamento seguro de dados e a interoperabilidade necessária aos agentes autônomos.
- O setor brasileiro de pagamentos deve superar R$ 5 trilhões em transações em 2026, com uso de pagamentos por aproximação crescendo de 3,9% para 72,8% das compras presenciais entre 2020 e 2025.
- Desafios futuros incluem governança dos agentes inteligentes, com necessidade de transparência e auditoria para assegurar que a IA atua em benefício do consumidor.
Linconl Rocha, presidente da Pagos, apresenta o conceito M.AI.Bundling e sustenta que a IA poderá redesenhar a relação entre clientes e bancos. O tema ganha destaque em discussões sobre o futuro dos pagamentos no Brasil e no mundo.
Bancos, fintechs e plataformas digitais convergem na visão de que a IA passa de apoio a intermediação principal. Rocha alerta que, em breve, a interface com o cliente pode ser dominada por agentes de IA que negociam condições no lugar do usuário.
A ideia baseia-se em quatro fases históricas: bundling, unbundling, rebundling e a emergente etapa do M.AI.Bundling. O objetivo é permitir que o consumidor represente seus interesses por meio de um agente inteligente.
O que muda
Segundo Rocha, não será necessário abrir apps ou comparar produtos. A IA atuará como interface única, pesquisando e escolhendo as melhores ofertas disponíveis no mercado. A mudança envolve a desintermediação de várias etapas do processo.
O Brasil já conta com infraestrutura regulatória para esse cenário. O BC implementou o Open Finance em 2021, promovendo compartilhamento seguro de dados entre instituições e viabilizando agentes autônomos.
Cenário de pagamentos no Brasil
A indústria de pagamentos vive momento de expansão. A Abecs projeta transações acima de R$ 5 trilhões em 2026, com crescimento entre 9,5% e 11,5% ante o ano anterior. O pagamento por aproximação também avança, aumentando sua participação nas compras presenciais.
Relatórios internacionais reforçam o otimismo com IA. Dados da NVIDIA, citados pela Finsiders Brasil, indicam ganhos de receita, redução de custos e maior eficiência para instituições que adotam IA em serviços financeiros.
Desafios e governança
Para Rocha, a principal discussão futura será a governança dos agentes inteligentes. Perguntas sobre audiência, responsabilidade e transparência precisam de respostas claras, para que o uso da IA seja auditável e alinhado aos interesses do consumidor.
O tema envolve toda a cadeia de pagamentos, incluindo bancos digitais, fintechs, adquirentes, empresas de tecnologia e reguladores. A adoção pode moldar operações de forma mais ampla do que meramente tecnológica.
Reflexões sobre o futuro
Rocha ressalta que a adoção da IA já deixou de ser uma aposta e se tornou infraestrutura. O debate passa a ver a IA como obrigatória para atender à demanda do cliente, com mudanças rápidas no comportamento do consumidor.
O executivo observa que a história mostra que paradigmas se atualizam rapidamente. A disputa no setor pode migrar de atenção do cliente para preferência do agente inteligente que o representa.
Linconl Rocha atua há anos em fintechs, inovação financeira e meios de pagamento. É presidente da Pagos e autor do conceito M.AI.Bundling, presente em seu livro que analisa a evolução da relação entre consumidores e empresas diante da IA.
Entre na conversa da comunidade