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IA reduz tarefas repetitivas, mas CEO da Read AI prevê mais trabalho

IA elimina tarefas repetitivas, mas gera mais trabalho; o papel humano permanece decisivo em decisões estratégicas

Para David Shim, fundador e CEO da Read AI, a inteligência artificial não deveria tomar decisões no lugar dos humanos – ao menos no curto prazo
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  • Pesquisa da PwC mostra que 71% dos profissionais no Brasil usaram IA no trabalho nos últimos 12 meses, acima da média global de 54%.
  • A Read AI aponta que quase sete em cada dez brasileiros usam ferramentas de IA diariamente; o CEO David Shim diz que o trabalho operacional está desaparecendo e que entre um quarto e metade do tempo pode ser liberado, mas mais trabalho virá.
  • Alessio Alionço, da Pipefy, afirma que a automação passou de cerca de quarenta% para entre sessenta% e noventa% dos processos possíveis, com IA de maior capacidade.
  • A IA não deve tomar decisões humanas em tarefas de maior relevância; o papel é oferecer informações e opções, deixando a escolha final para as pessoas.
  • Os benefícios costumam vir em três frentes: ganhos financeiros, melhoria da qualidade e aumento da velocidade; o desafio é orquestrar dados, pessoas e diferentes tipos de agentes sem uma única solução milagrosa.

A IA está eliminando tarefas repetitivas, mas o emprego de agentes digitais pode aumentar a carga de trabalho em outras áreas. Executivos destacam como ferramentas inteligentes já mudam rotinas empresariais, os limites da tecnologia e a importância do julgamento humano. O tema ganhou destaque no Web Summit Rio, na semana passada.

Dados de pesquisa mostram que os brasileiros lideram a adoção de IA no trabalho. Um estudo da PwC aponta que 71% dos profissionais no Brasil utilizaram IA nos 12 meses anteriores, ante 54% globalmente. A Read AI aponta uso diário por quase sete em cada dez trabalhadores.

David Shim, fundador e CEO da Read AI, afirmou que a adoção reduz atividades burocráticas e repetitivas. Em painel no Web Summit Rio, ele disse que o trabalho operacional tende a desaparecer, liberando entre um quarto e metade do tempo dos profissionais. Contudo, alertou: mais trabalho virá.

Alessio Alionço, fundador e CEO da Pipefy, acrescentou que a automação avançou. Segundo ele, antes cerca de 40% dos processos podiam ser automatizados; hoje, esse patamar fica entre 60% e 90%. A mudança é consequência da entrada de agentes de IA com capacidades mais sofisticadas.

O que a IA não pode fazer

As tarefas repetitivas foram as primeiras a serem delegadas às máquinas, com a IA resumindo notas de reuniões e organizando informações. Shim afirma que a IA executa o trabalho burocrático, mas não deve tomar decisões no lugar de humanos nos próximos anos.

Alionço afirma que a IA pode ajudar em decisões de baixo risco, mas não substitui o julgamento humano em tarefas relevantes. Ele usa a metáfora de um perfil em redes sociais: a IA pode indicar opções, mas a decisão final cabe ao usuário.

O poder da IA

Segundo Alionço, os benefícios costumam aparecer em três frentes: ganhos financeiros, melhoria da qualidade e aumento da velocidade. Em muitos casos, são observadas duas dessas vantagens ao mesmo tempo, segundo o executivo. Shim ilustra com o agendamento de compromissos, feito por agentes que identificam preferências.

Shim também aponta o potencial da IA para integrar informações de diferentes países. A tecnologia pode organizar dados em espanhol, português e inglês para indicar próximos passos, sem depender do idioma.

Para Alionço, a vantagem competitiva das empresas está na capacidade de orquestrar dados, pessoas e diferentes tipos de agentes com diversas tecnologias. O desafio, segundo ele, é fazer tudo funcionar de forma integrada, sem esperar por uma solução única.

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