- Fábia França, 61 anos, trabalhadora do setor de hortifruti em Itu, tornou-se responsável por quatro empresas que receberam R$ 252 milhões do Banco Master, além de envolvimento em operação de R$ 1,7 bilhão com o BRB.
- As empresas são registradas em Goiânia, Olinda, Lauro de Freitas e Rio, mas funcionam em endereços de escritórios virtuais com contatos fictícios; a CPI do INSS as incluiu em lista de fachadas usadas para simular transações de ativos com o Master.
- Fábia nega participação direta nos negócios e diz ser pobre; afirma não conhecer o nome das empresas, embora tenha atuado como diretora substituta da sobrinha Priscila.
- Cinco sociedades anônimas ligadas a Fábia—Nanook, Telure, Utter, Bearer e Pardallis—foram criadas em 2023; Nanook recebeu 52 milhões em 2025 e 41 milhões em 2024; Telure recebeu 111 milhões em 2024; Utter, 48 milhões em 2024.
- A The Pay Soluções de Pagamentos, administrada por Fábia, está ligada à Operação Compliance Zero; investigações apontam repasses e uso de notas de crédito envolvendo fundos de investimento, com a The Pay descrita como fachada em parecer do MPF.
Fábia França, uma mulher de 61 anos com renda declarada baixa, atuava no setor de hortifruti de um supermercado em Itu (SP) e recebia cerca de R$ 1.988. Ela passou a figurar como responsável por quatro empresas que receberam 252 milhões de reais do Banco Master, segundo levantamentos da imprensa.
As empresas, com registro oficial em Goiânia, Olinda, Lauro de Freitas e Rio, não exerciam atividades nessas cidades. Os endereços serviam como escritórios virtuais para cadastros oficiais e recebimento de correspondência, com contatos registrados que também aparecem como fictícios.
O rastreamento envolve a CPI do INSS, que listou essas holdings entre as chamadas empresas de fachada usadas para simular transações de ativos com o Master. A análise aponta ligação com operações de lavagem de dinheiro associadas à fraude do INSS.
Fábia declarou, em processo trabalhista, ser pobre e não poder arcar com custas. Ela também é tia de Gustavo França, sócio-fundador da X3 Brazil, escritório ligado à abertura de empresas em massa. A reporterias apontam mais de 150 empresas associadas à X3, com várias em nomes de familiares.
Antes de Fábia, a gestão das empresas passou pela prima Priscila França, que trabalhava em Itu. Ela saiu da cidade e não respondeu a contatos. A X3 Brazil, por sua vez, já desocupou a sede em São Paulo, e os contatos da empresa encontram-se indisponíveis.
A atuação de Fábia nas sociedades
Em junho do ano passado, Fábia tornou-se diretora de cinco sociedades anônimas: Nanook, Telure, Utter, Bearer e Pardallis. A gestão, porém, não mostrava conexões entre si. A assinatura de Fábia não foi verificada em documentos na Junta Comercial de São Paulo.
Os nomes dos diretores nas cinco empresas passaram a ser de familiares, com Fábia substituindo Priscila na direção. As sociedades permaneceram em São Paulo e, após esse rearranjo, foram transferidas para estados com endereços de escritórios virtuais.
Relatos oficiais indicam que três das quatro empresas citadas pelo Master registraram pagamentos de 52 milhões, 41 milhões e 111 milhões de reais em 2024-2025, respectivamente, segundo a declaração do próprio banco. A Utter recebeu ainda 48 milhões no mesmo período e é alvo de suspeitas de lavagem de dinheiro.
The Pay e desdobramentos
Pouco tempo depois de assumir as sociedades, Fábia passou a administrar a The Pay Soluções de Pagamento, ligada à origem da Operação Compliance Zero, que investiga o Master. O banco central chegou a discutir créditos de 12 bilhões associados ao BRB e ao Master, com diferentes versões oficiais.
O MPF investigou que o Master informou créditos de grande monta envolvendo a The Pay, cuja estrutura é apontada como fachada sem empregados registrados. Documentos indicam que Priscila aparece como diretora em algumas fases, mas Fábia já substituiu-a.
Outros sinais apontam para uma rede maior de empresas ligadas à X3, com registros em diferentes estados e uso de endereços virtuais para operações financeiras sob investigação. A defesa de envolvidos não respondeu aos contatos para comentário, ou pediu tempo para manifestação.
A apuração segue enfocando as ligações entre as empresas de fachada, o Master e instituições públicas, com foco em operações de simulação de ativos, lavagem de capitais e reatribuções de créditos envolvendo o BRB e outros agentes.
Entre na conversa da comunidade