- Montadoras pressionam o governo para manter o cronograma de aumento das tarifas de importação de veículos elétricos e híbridos, diante da presença crescente de marcas chinesas no mercado brasileiro.
- A Anfavea defende a manutenção das regras atuais para a retomada gradual do imposto e é contra renovar benefícios tributários para importação de kits de montagem.
- Investimentos anunciados pelos fabricantes instalados no Brasil passam de mais de R$ 140 bilhões até 2033, voltados à eletrificação, pesquisa, engenharia, descarbonização e cadeia de fornecedores.
- Estoques de veículos importados atingiram cerca de 150 dias de vendas em maio, com importações antecipadas em meio ao fim das tarifas reduzidas.
- A participação de veículos eletrificados produzidos no Brasil subiu de 26% das vendas em 2025 para 40% em 2026, enquanto o emplacamento de eletrificados importados cresceu 214% entre 2023 e 2025.
As montadoras instaladas no Brasil intensificaram a pressão sobre o governo para manter o cronograma de aumento das tarifas de importação de veículos elétricos e híbridos. A Anfavea divulgou uma carta aberta defendendo a manutenção integral das regras para a retomada gradual do imposto. A entidade também criticou a renovação de benefícios tributários para a importação de kits usados na montagem de veículos no país.
A carta ocorre em meio a mudanças rápidas no setor, com marcas chinesas ampliando presença no mercado e disputando espaço com montadoras tradicionais. BYD e GWM passaram a investir no Brasil, fortalecendo a competição local.
O governo retomou, em 2024, a cobrança do imposto para veículos elétricos, após período de alíquota zerada. O plano prevê aumentos graduais até a recomposição integral nos próximos anos, mantendo previsibilidade para investimentos anunciados desde o lançamento da política industrial.
Investimentos e impactos da política
Segundo a Anfavea, fabricantes instalados no Brasil anunciaram mais de R$ 140 bilhões em investimentos até 2033, voltados à eletrificação, pesquisa e descarbonização. Os recursos visam ampliar a cadeia de fornecedores e a capacidade de engenharia local.
Estoques de veículos importados são apontados como risco à consistência do ritmo de nacionalização. Em maio, os estoques chegaram a cerca de 150 dias de vendas, impulsionados pela entrada de modelos importados.
A entrada de marcas no país segue em ritmo acelerado: apenas no primeiro trimestre de 2026, onze fabricantes iniciaram operações no Brasil, segundo a associação.
Desempenho de produção e importação
Dados da Anfavea indicam que, em 2025, veículos eletrificados produzidos no Brasil responderam por 26% das vendas do segmento. Em 2026, essa participação já atingiu 40%. Em contrapartida, emplacamentos de eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025.
O cenário mostra uma disputa entre dois modelos de expansão da eletromobilidade: produção nacional com cadeia de fornecedores fortalecida versus importação inicial para acelerar o volume de produtos no mercado.
Kits de montagem e equilíbrio regulatório
Outro tema relevante envolve a importação de kits industriais para montagem de veículos no Brasil. A Anfavea sustenta que a prática pode ser útil na fase inicial, mas aponta que uso prolongado reduz incentivos à nacionalização de componentes.
A entidade defende o encerramento de cotas que permitem a importação desses kits sem recolhimento integral de tributos e se opõe à criação de mecanismos que substituam esse benefício.
Perspectiva do governo e horizonte regulatório
O governo busca ampliar a participação de veículos de baixa emissão sem comprometer investimentos já anunciados. A Anfavea argumenta que previsibilidade regulatória é essencial para justificar projetos de fábricas, centros de engenharia e fornecedores nacionais.
A decisão sobre mudanças nas tarifas poderá influenciar o ritmo de nacionalização da produção de eletrificados e o posicionamento do Brasil na cadeia automotiva nos anos seguintes.
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