- Brent deve fechar a semana com queda de cerca de 9%, próximo de US$ 80 o barril.
- A possibilidade de retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz reduz o prêmio de risco no petróleo.
- As negociações entre Estados Unidos e Irã não ocorreram nesta sexta-feira, aumentando a incerteza sobre uma trégua duradoura no Oriente Médio.
- Um acordo provisório entre EUA e Irã pode liberar mais de 85 milhões de barris e levantar sanções ao petróleo iraniano, aumentando a oferta.
- Bancos revisam o cenário: Citi projeta normalização com queda de preços para US$ 60–65 até 2027; Commerzbank aponta Brent em US$ 80 até o fim do ano, com recuperação gradual da produção iraquiana.
O petróleo Brent deve fechar a semana em queda de cerca de 9%, com negociações nesta sexta-feira ainda vinculadas à possibilidade de retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz. A incerteza acompanha o possível acordo entre EUA e Irã, após o cancelamento de negociações e a intensificação dos ataques israelenses no Líbano.
A Suíça informou que as negociações entre Washington e os negociadores iranianos sobre um pacto para encerrar o conflito no Oriente Médio não ocorreriam nesta sexta, uma vez que o vice-presidente JD Vance cancelou a viagem. A notícia aumenta a dúvida sobre uma trégua duradoura.
“Isso mostra o caminho difícil para retomar plenamente o fluxo de petróleo pelo estreito”, disse Tamas Varga, da PVM Oil Associates. “A continuidade de notícias sobre cessar-fogo molda o sentimento do mercado”, completou.
Ambos os benchmarks atingiram, na quinta-feira, as menores cotações desde o início do conflito, com petroleiras operando perto de 80 dólares o barril. Navios com bandeira saudita transportavam cerca de 6 milhões de barris, horas após assinatura de acordo provisório entre EUA e Irã.
Perspectivas de oferta e demanda
Analistas apontam que o acordo pode liberar mais de 85 milhões de barris retidos no Golfo para o mercado global, além de potencialmente suspender sanções ao petróleo iraniano. A recuperação de fluxos pode levar meses, mesmo com avanço de negociações.
O Citi mantém cenário-base, com 60% de probabilidade, de normalização sustentada dos fluxos, levando o petróleo a superávit e a quedas de preço entre US$ 60 e US$ 65 por barril nos próximos 6 a 12 meses, até o primeiro trimestre de 2027.
O Commerzbank revisou a estimativa de oferta, reduzindo o Brent para US$ 80 até o fim do ano, ante US$ 85 previamente, com preços ainda acima dos níveis pré-guerra durante a maior parte do próximo ano.
Segundo o ministro do Petróleo do Iraque, Basim Mohammed, os campos do país estão prontos para retomar a produção, com recuperação gradual aos níveis anteriores. A produção se normalizaria ao longo do tempo.
A Opep indica, em seu World Oil Outlook 2026, que a demanda global subir de 105,1 milhões de bpd em 2025 para 113,3 milhões de bpd em 2030. O relatório destaca perspectivas de crescimento, ainda que variáveis geopolíticas pesem sobre o mercado.
O conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano mantém dúvidas sobre a sustentabilidade de um acordo entre EUA e Irã, afetando as expectativas de restabelecimento pleno dos fluxos de petróleo pela região.
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