- Preços da ureia caíram de US$ 918 por tonelada em abril para US$ 475 por tonelada, no Oriente Médio, puxados pela retomada de oferta e demanda mais fraca.
- A FAO alerta que a demanda menor pode reduzir a produtividade na próxima colheita, impactando preços de alimentos a longo prazo.
- Fertilizantes fosfatados seguem escassos devido ao alto preço do enxofre, que teve grandes altas desde o início do conflito.
- A China anunciou retorno das exportações a partir de 1º de junho, ajudando a reduzir o prêmio de guerra e aliviar a oferta global.
- Quase 900 mil toneladas de ureia permanecem em armazenamento flutuante no Golfo, com atrasos logísticos e volatilidade ainda presentes.
O preço dos fertilizantes nitrogenados caiu em relação aos patamares máximos observados no início do conflito entre EUA e Irã. A ureia, o principal fertilizante utilizado, recuou de cerca de US$ 918 por tonelada em abril para US$ 475, segundo a consultoria Argus. O recuo ocorre mesmo com interrupções comerciais e sem a reabertura total do estreito de Hormuz.
Operadores do mercado passaram a apostar que o pior do choque de oferta no Oriente Médio já ficou para trás. O recuo da ureia aconteceu antes da circulação plena de navios pelo estreito, e também diante da expectativa de retomada gradual das exportações chinesas.
A queda de preços ocorreu em meio a demanda mais fraca e à percepção de retorno gradual das exportações do Golfo. Analistas destacam que o esfriamento da demanda anterior ao fim das interrupções ajuda a equilibrar oferta e demanda a médio prazo.
A FAO alerta que a redução de uso de fertilizantes pelo mundo pode comprometer produtividades na próxima safra. Economistas ressaltam que cortes de consumo, mesmo moderados, impactam rendimentos agrícolas e, por consequência, o abastecimento de alimentos.
Alguns analistas veem papel da demanda norte-americana e europeia ao longo da temporada. Acompanhadores de mercado indicam que o estoques elevados em parte do Hemisfério Norte reduziram a pressão de curto prazo sobre os preços.
A situação no mercado também é influenciada pela oferta de fosfatados, que permanece restrita devido ao alto custo do enxofre, subproduto essencial para a produção. O enxofre teve aumentos expressivos de preço desde o início do conflito.
No câmbio de perspectivas, a China anunciou a retomada das exportações de ureia a partir de junho, o que ajudou a conter o avanço dos preços. Mesmo com esse alívio, o mercado físico continua apertado, com volumes ainda ausentes em várias regiões.
Cerca de 900 mil toneladas de ureia permanecem armazenadas de forma flutuante em navios no Golfo, indicando atrasos logísticos. A recomposição de estoques e a normalização dos fluxos devem levar tempo, mantendo certa volatilidade.
Contexto de mercado
Diversos agentes apontam que a demanda recuou globalmente, contribuindo para a alta sensibilidade dos preços à evolução do comércio no Oriente Médio. A oferta chinesa e o reequilíbrio entre gastos agrícolas também influenciam o cenário.
Perspectivas
Especialistas apontam que a produção agrícola pode sofrer impactos na próxima safra se o uso de nitrogênio permanecer contido. Governos e setores privados monitoram a evolução dos estoques e a dinâmica de importação para ajustar planos de cultivo.
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