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Tarifaço: associação dos EUA defenderá o pescado brasileiro

NFI defende pescado brasileiro em audiência; tarifa de 37,5% pode impactar importações e empregos, enquanto o Brasil busca novos mercados

Pescado (Foto: Mali Maeder/Pexels)
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  • A National Fisheries Institute defenderá o pescado brasileiro em audiência pública no dia 6, em meio às tarifas propostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
  • Se implementadas, as tarifas podem chegar a 37,5% para o setor brasileiro.
  • A Abipesca afirma que o Brasil não compete diretamente com a produção americana, já que exporta produtos que os EUA não produzem em escala relevante, como a tilápia.
  • O setor destaca protocolos sanitários, trabalhistas e ambientais brasileiros, além de citar menor impacto ambiental e produção majoritariamente artesanal.
  • A indústria depende fortemente do mercado americano — cerca de 90% da tilápia exportada vai para os EUA — e busca novos mercados na Ásia, Oceania e Oriente Médio, após queda nas exportações para os EUA.

A maior associação de pescados dos EUA, a National Fisheries Institute (NFI), defenderá o pescado brasileiro em audiência pública no dia 6, em meio a tarifas propostas pelo presidente Donald Trump. A mobilização ocorre diante da possibilidade de novas taxações sobre as importações de pescados.

Caso as taxas entrem em vigor, o Brasil pode enfrentar tarifa de 37,5% nos EUA. Eduardo Lobo, presidente da Abipesca, afirma que a defesa repetirá argumentos apresentados ao governo americano no ano passado, quando houve tarifas de 50%.

Segundo Lobo, o principal ponto é mostrar que o Brasil não compete diretamente com produtores norte‑americanos. O país exporta itens que os EUA não produzem em escala relevante, como tilápia, servindo como fonte de segurança para o mercado americano.

No momento, os produtos brasileiros respondem por cerca de 5% das importações de pescado nos EUA. Importadores têm ampliado compras para reduzir dependência da China, segundo o representante brasileiro.

Defesa dos protocolos

A Abipesca afirma que o Brasil cumpre normas sanitárias, trabalhistas e ambientais rigorosas. Lobo destaca a ausência de trabalho infantil ou escravo na produção brasileira e menor impacto ambiental em comparação com a pesca industrial.

A produção brasileira é enfatizada como predominantemente artesanal, realizada por pequenas embarcações familiares, o que reduz o impacto ambiental, segundo o dirigente.

Contexto das tarifas e impactos

Em maio, o diretor jurídico da NFI pediu ao governo Trump que não taxasse pescados, argumentando que a medida poderia elevar a inflação ao consumidor americano. Alega que estoques pesqueiros estão no limite sustentável e que há dependência de fornecedores externos.

As propostas de tarifas divulgadas em 1º de junho preveem 25% sobre mercadorias brasileiras, com acrescimentos subsequentes de 12,5% para 60 países por falha no combate ao trabalho forçado. O Brasil integrou essa lista.

Perspectivas de mercado

O setor brasileiro depende fortemente do mercado americano: 90% da tilápia exportada vai para os EUA, e aproximadamente metade das exportações totais de pescados são destinadas ao país. Ações para diversificar mercados ganharam impulso desde 2025.

Lobo afirma que a busca por novos clientes já gerou aberturas em Singapura, Taiwan, Austrália e Emirados Árabes, além da China. Mesmo assim, substituir o principal mercado é complexo, admite o dirigente.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 470 milhões em pescados para os EUA. A expectativa para este ano era de US$ 500 milhões, mas as tarifas ameaçam alcançar esse patamar.

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