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Fiscal pode travar Selic antes do último corte esperado

Mercado espera corte de 0,25 p.p., porém aumento de gastos públicos e ano eleitoral elevam o risco fiscal e limitam o espaço do Banco Central

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  • Mercado espera corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas há dúvidas se será o último por um bom tempo, diante de um cenário de quadro fiscal deteriorado.
  • Queda do petróleo ameniza inflação em combustíveis, alimentos e transporte, o que poderia sustentar cortes, mas as expectativas não acompanham a melhoria dos preços.
  • O Boletim Focus passou a indicar menos confiança de novas quedas fortes na Selic, com possibilidade de juros próximos de 14% por período prolongado.
  • O aumento de gastos públicos, aprovações com impacto orçamentário e o ano eleitoral reduziram a previsibilidade e elevaram o risco-país.
  • O Banco Central fica cada vez mais pressionado por fatores fiscais que fogem ao controle da política monetária, com o fiscal voltando a ditar o ritmo.

O cenário para a próxima decisão sobre a Selic coloca frente a frente movimentos opostos. De um lado, a queda do petróleo atua sobre combustíveis, alimentos e transporte, reduzindo pressões inflacionárias. Do outro, a deterioração fiscal e o aumento de gastos em ano eleitoral restringem a margem de manobra do Banco Central.

Para o economista Alex André, em análise à BM&C News, o mercado trabalha com a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual. Contudo, o desafio é saber se esse movimento será o último de afrouxamento por um longo período.

O alívio inflacionário não se converteu em confiança do investidor. Segundo André, a queda do petróleo impacta índices de inflação e pode abrir espaço para cortes, mas as expectativas permanecem deterioradas. O mercado reage mais ao risco do que ao discurso oficial.

Fatores fiscais redefinem o ritmo da política

A avaliação de André aponta que a revisão do Boletim Focus sinaliza mudança de percepção: juros devem cair menos e permanecer próximos de 14% por algum tempo. O fator fiscal — com aumento de gastos, pautas orçamentárias aprovadas e a proximidade de eleiçoes — também eleva a percepção de risco.

Para o economista, o Banco Central passa a enfrentar variáveis fora de seu controle direto. O ambiente fiscal volta a ditar o ritmo da política monetária e a reduzir a capacidade de atuação da autoridade monetária.

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