- A incerteza sobre o acordo de paz no Oriente Médio levou a uma alta nas taxas de juros futuros, no Brasil e nos EUA, por riscos fiscais e pressões inflacionárias.
- O petróleo voltou a ficar abaixo de US$ 80 após o memorando que previa fim imediato das hostilidades em todas as frentes, com prazo de 60 dias para negociação de um acordo definitivo.
- Israel e Hezbollah teriam concordado com um princípio de cessar-fogo, mas confrontos no sul do Líbano mantêm a fragilidade do conflito e adiam reunião entre EUA e Irã.
- No Brasil, o Banco Central cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 14,25%, sinalizando atraso na convergência e abrindo espaço para mais cortes, o que elevou o humor no mercado e o dólar.
- Economistas veem deterioração do quadro fiscal com a vitória de Lula, levantando prêmio de risco para dívida pública; projeções de alta de juros nos EUA e menor apetite a risco local contribuíram para o movimento das curvas.
Diante de incertezas sobre o acordo de paz no Oriente Médio, bolsas fecham nos EUA com queda e a curva de juros futuros sobe tanto no Brasil quanto nos EUA. O movimento reflete, no Brasil, riscos fiscais; nos EUA, pressões inflacionárias para sustentar alta de juros.
O mercado monitorou o avanço de um cessar-fogo entre Israel e Hezbollah e o atraso na reunião entre EUA e Irã, após confrontos no sul do Líbano. Analistas mantêm cautela sobre o desfecho das negociações e sobre impactos na inflação.
No Brasil, o Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto e sinalizou antecipar para 2028 o horizonte relevante, abrindo espaço para cortes adicionais. O país viu o dólar subir, com o contrato à vista em alta no dia seguinte.
Temor fiscal
Economistas destacam que a vitória de Lula pode piorar o quadro fiscal sem ajuste nas contas públicas, elevando o prêmio de risco dos títulos públicos. O mercado avalia maior necessidade de contenção de gastos e impactos na política monetária.
A Bravonte Capital aponta que o BC adiou a convergência da inflação para a meta, ampliando a incerteza sobre o caminho de juros. A instituição ressalta a dificuldade de desacelerar a inflação entre 2027 e 2028, mantendo pressão de cortes.
Segundo o economista Eduardo Velho, o aumento de gastos e isenções complica a política monetária, elevando juros futuros no Brasil. Ele afirma que maior prêmio de risco sustenta a curva de juros, com impacto nos títulos públicos.
No fim da tarde, contratos futuros chegaram a renovar máximas, com DI para janeiro de 2029 próximos de 15% ao ano. A B3 encerrou em mínimos pelo dia, com leve valorização. O dólar fechou em R$ 5,165, queda de 0,20% no dia.
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