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Juros altos no Brasil: economia ainda indexada à inflação, afirma Meirelles

Ex-presidente do Banco Central diz que Selic permanece alta pela indexação da economia e crédito direcionado, defendendo independência financeira do BC

Ex-presidente do BC afirma que autoridade monetária não tem como interferir em determinadas variáveis e levar a Selic a patamares muito mais baixos do que tivemos nos últimos anos
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  • Henrique Meirelles afirma que a taxa Selic no Brasil é alta porque a economia continua indexada à inflação e há crédito direcionado; o Banco Central não tem poder de reduzir significativamente essa pressão.
  • O ex-presidente do Banco Central ressalta que, mesmo fora de crises, a indexação de contratos e salários sustenta a inflação, elevando a necessidade de juros mais altos.
  • Ele lembra da crise financeira internacional como o momento mais difícil, quando o crédito externo secou e o sistema financeiro ficou instável, porém foi superado.
  • Meirelles destaca a independência do Copom na tomada de decisões e disse que, durante sua gestão, orientava diretores a votar de forma independente, sem influências externas.
  • O ex-ministro defende a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para autonomia financeira do Banco Central, mantendo prestação de contas e fortalecendo o Copom.

Brasil tem juros mais altos porque a economia ainda é indexada à inflação, afirma Henrique Meirelles, ex-presidente do BC e ex-ministro da Fazenda. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele comenta o aniversário de 30 anos do Copom e a dificuldade de reduzir a Selic. A ideia é que não há poder do BC sobre certas variáveis que mantêm a alta.

Meirelles diz que a taxa sobe pela indexação da economia e pelo crédito direcionado, fatores que, segundo ele, permanecem mesmo com pressões de política monetária. O ex-presidente sustenta que o Plano Real não resolveu esse problema estrutural e que o BC não tem como alterá-lo de forma rápida.

Durante a crise financeira internacional, afirma, houve dificuldade de acesso ao crédito externo, o que escancarou turbulências no sistema financeiro. Ele relembra ter recebido aplausos de banqueiros de outros países em Basileia, após ações do BC para estabilizar o mercado.

O público braisileiro sente o impacto disso na prática: a Selic serve de referência para preços e salários, e os mecanismos de crédito não chegam com a mesma eficácia a empresas e famílias. Mesmo com altas, o custo de crédito pode nem refletir integralmente a taxa básica em todas as operações.

Meirelles cita episódios da gestão do Copom, destacando a independência dos diretores na hora de decidir, sem pressões do mercado. Ele afirma que, na véspera das reuniões, orientava que não houvesse comunicação entre diretores sobre os juros para evitar influências indevidas.

Em ritmo de balanço de 30 anos do Copom, o ex-presidente também destaca o papel da crise de 2008 como marco, quando o Brasil conseguiu evitar o contágio financeiro global. Segundo ele, a resposta envolveu reservas internacionais e coordenação com bancos centrais.

Autonomia do BC e PEC

Meirelles defende a Proposta de Emenda à Constituição que confere autonomia financeira ao BC, mantendo prestação de contas. Para ele, a independência financeira, aliada à transparência, reforça o papel do Copom na condução da política monetária.

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