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Mercado imobiliário acelera para atender geração que não quer envelhecer

Mercado imobiliário mira longevidade com moradias adaptadas; déficit de oferta atinge até 1,2 milhão de unidades

Milton Torrez e Mercês Célia Barbosa, ambos com 56 anos, resolveram comprar uma nova casa em Santo André (SP)
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  • O mercado imobiliário brasileiro está migrando para atender uma geração que não quer envelhecer em casa, com foco em moradias pensadas para longevidade e autonomia.
  • Dados: 54 milhões de brasileiros têm mais de 50 anos e movimentam cerca de R$ 1,8 trilhão por ano; 37% têm interesse em morar ou investir em empreendimentos voltados ao público maduro.
  • Déficit projetado de moradias para longevidade fica entre 600 mil e 1,2 milhão de unidades, com demanda reprimida superior a 250 mil na região de São Paulo.
  • Nos novos projetos, importam acessibilidade, conectividade, áreas de convivência, sensores de monitoramento e espaços de estímulo cognitivo; o custo de mudança permanece como principal limitador.
  • O financiamento para pessoas com mais de cinquenta anos enfrenta prazos mais curtos e custos adicionais de seguros, embora existam casos de sucesso, com pessoas à primeira compra ou reestruturação financeira para manter a qualidade de vida.

O mercado imobiliário brasileiro começa a se transformar diante de uma população que envelhece. Incorporadoras apostam em imóveis, condomínios e serviços voltados a pessoas de 50 a 70 anos, com foco na autonomia e na residência estável.

O conceito de aging in place ganha espaço, incentivando moradias menores, bairros com acesso a serviços a pé e soluções tecnológicas para segurança. Sensores de monitoramento, detecção de quedas e áreas de convivência passam a compor o mix dos empreendimentos.

Casais como Milton Torrez Moran e Mercês Celia Barbosa, ambos de 56 anos, procuraram um condomínio em Santo André (SP) para facilitar o dia a dia e reduzir o estresse. A mudança representa uma tendência observada no interior do país.

O que está mudando no desenho dos imóveis

Projetos recentes substituem escadas por espaços integrados, priorizam proximidade de hospitais, padarias e comércios e incorporam áreas de estímulo cognitivo. Piscinas, hortas elevadas, spas e áreas de descanso ganham importância entre compradores maduros.

Especialistas destacam que o objetivo não é apenas ampliar cuidados, mas manter a independência por mais tempo. Um piso com menor risco de quedas e acabamentos adequados ajudam nessa meta. O acabamento é um diferencial.

Desafios e demanda

Estimativas apontam que o déficit de moradias voltadas à longevidade fica entre 600 mil e 1,2 milhão de unidades no Brasil, com maior concentração em São Paulo e região metropolitana. O custo do imóvel com serviços extra eleva o metro quadrado entre 20% e 40%.

O crédito para essa faixa etária sofre limits de financiamento. Prazos menores e custos de seguro habitacional elevam o custo efetivo da operação, o que limita a mudança para empreendimentos planejados para a longevidade.

Perspectivas e mercado nacional

Mercados como Estados Unidos e Europa já contam com modelos bem estabelecidos de senior living. No Brasil, cidades como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre lideram a adoção de projetos com foco na longevidade, mesclando tecnologia, serviços e convivência. A tendência cresce, impulsionada pela demografia e pela busca por qualidade de vida.

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