- Gustavo Sampaio, economista da Fundação Getulio Vargas, é o único brasileiro inscrito na audiência do USTR, em Washington, marcada para 6 de julho, sobre a provável cobrança de 25% em produtos brasileiros.
- O governo brasileiro ainda não confirmou presença; Brasília suspeita que o debate conflita com critérios da Organização Mundial do Comércio, e Sampaio disse não ter recebido orientação oficial de ministérios.
- O professor defende a participação brasileira para não ser “condenado à revelia” e quer apresentar o Pix como infraestrutura de Estado durante a defesa.
- Ele vê as tarifas como soluções analógicas para problemas digitais e cita o FedNow como comparação com o modelo brasileiro.
- O Planalto já avalia que as tarifas devem ser confirmadas, mantendo o foco em argumentos considerados inseguros pelos EUA; o cronograma envolve 22 de junho (pedido de participação), 1º de julho (comentários por escrito) e 6 de julho (audiência).
O economista Gustavo Sampaio, da FGV, é o único brasileiro inscrito na audiência pública do USTR, marcada para 6 de julho, em Washington. A ocasião integra uma investigação norte-americana sobre a possível aplicação de tarifas de 25% a produtos brasileiros. Ainda não há confirmação de participação do governo brasileiro.
Sampaio aponta desconfiança do Planalto em relação ao processo e avalia que o tema confronta regras da OMC. Ele notificou ministérios sobre a inscrição, mas não recebeu retorno oficial até o momento. O professor defende que a participação brasileira é importante para defesa do país.
Ele cita a Seção 301 como instrumento de amplo alcance investigativo e ressalta que a pauta envolve, entre outros itens, o Pix, decisões judiciais sobre redes sociais e o desmatamento ilegal, que podem influenciar o debate nos EUA.
Apesar das reservas, o professor acredita na necessidade de defesa brasileira para evitar condenação à revelia e defende a participação mesmo diante de riscos de um processo visto como desleal por alguns setores.
Defesa do Pix e argumentos do Brasil
Sampaio apresentou ao USTR documentos para defender o Pix como infraestrutura de Estado, não apenas como meio de pagamento. Em sua visão, as tarifas propostas seriam soluções analógicas para questões digitais e poderiam encarecer produtos para consumidores norte-americanos.
O economista afirma que o país pode aprender com experiências internacionais, citando o FedNow como comparação. Segundo ele, um diálogo técnico, sem clima político, pode gerar contribuições úteis para ambas as partes, especialmente durante eleições.
A relação Brasil-Estados Unidos, que já dura mais de 200 anos, é descrita como pragmática e robusta, segundo o professor. Ele destaca que, mesmo diante de discordâncias, os dois países costumam manter canais de negociação.
Panorama atual e próximos passos
Segundo apuração do Poder360, o Planalto acredita que as tarifas de 25% devem avançar, com poucas chances de reversão nas negociações. O governo tem reiterado objeções a justificativas apresentadas pelos EUA. Recentemente, uma reunião virtual com o representante comercial não teve desfecho.
A audiência pública é parte do processo que pode influenciar a decisão final do governo norte-americano sobre as tarifas. O USTR abriu o calendário com prazos para participação, envio de comentários por escrito e audiência no dia 6 de julho.
Entre na conversa da comunidade