- O Clos Canarelli, na Córsega, é um domaine familiar fundado pelo pai de Yves Canarelli em sessenta e oito; Yves assumiu em mil novecento noventa e dois e começou a colocar as vinhas em bottle em mil novecentos noventa e seis.
- O giro para produção em modo bios (bio) e biodinâmico ocorreu a partir de dois mil e dois, fortalecendo a reputação do domaine e contribuindo para o reconhecimento da viticultura corsa.
- Simon-Paul Canarelli ingressou no negócio e, em dois mil e vinte e dois, criou seu próprio domaine em Bonifacio, mantendo-se enólogo do domínio familiar.
- As práticas recentes incluem irrigação controlada (com testes) e triagem óptica das uvas na chegada, o que trouxe vinhos vermelhos mais precisos e veludados.
- O futuro prevê expansão do turismo vínico, com quatro novas villas chegando a um total de dez no domínio, além de atividades como olivas, produção de licores e uma épicerie fina; a ideia é manter a tradição familiar com participação de irmãos.
A vinicultura da Corsia ganha destaque com a história de Clos Canarelli, um domínio familiar que ascende pela união entre pai e filho. Em uma entrevista publicada pela imprensa francesa, Yves Canarelli relembra a trajetória desde a fundação em 1968 até o reconhecimento atual. O abandono do modelo puramente produtivista e a aposta na qualidade deram o tom da mudança.
O domínio nasceu com o pai de Yves, que cultivava 24 hectares. Em 1992, Yves assumiu a operação, após um câncer que abriu caminho para a continuidade da própria família. Inicialmente, grande parte da produção era vendida a granel à cooperativa, sem foco em vinhos engarrafados. A virada começou com a entrada de um enólogo brilhante, Elie Brun, e alianças com outros produtores da ilha em busca de reconhecimento.
A mudança de estratégia ganhou fôlego a partir de 2007, com a transição para práticas orgânicas e biodinâmicas. O domínio ganhou reputação, acompanhando o processo de valorização dos vinhos da Corsica. Em 2002, o Clos Canarelli foi eleito um grande talento pela imprensa especializada, impulsionado pela avaliação de críticos e sommeliers de renome.
Simon-Paul Canarelli entrou no negócio de forma natural, mantendo o papel de enólogo do domínio familiar. Em 2022, ele também criou seu próprio domínio em Bonifacio, após a aquisição de terras na Tarra di Sognu. Mesmo assim, retorna ao Clos Canarelli para conduzir o trabalho técnico e manter a visão conjunta.
A passagem de Simon-Paul trouxe inovações técnicas, como a introdução do triamento óptico na recepção das uvas e a implementação de irrigação controlada, adotada após testes críticos. O pai reconhece que essas medidas contribuíram para a melhoria da precisão e da veludidade dos vinhos, especialmente os tintos.
A dupla enfatiza que a mudança geracional não foi imposta, mas construída ao longo do tempo. Yves destaca que a família sempre participou ativamente das decisões, inclusive sobre o timing das colheitas, que hoje ocorre com maior flexibilidade para acompanhar o clima. A prática da viticultura moderna foi incorporada sem abandonar a base adquirida no passado.
Além da produção, o futuro no Clos Canarelli passa por expansão e diversificação. A família investe no enoturismo, com a construção de quatro novas villas que totalizarão dez unidades de hospedagem, além de atividades correlatas, como cultivo de cítricos e a gestão de uma pequena produção de azeite e uma espícula de gourmet que se tornou parte da experiência local. O objetivo é tornar o domínio um polo de referência não apenas pela qualidade, mas pela integração com a cultura e a economia da região.
Sobre a continuidade do projeto, Simon-Paul expressa a vontade de manter o compromisso familiar e trabalhar com a próxima geração, se houver. Yves ressalta que o equilíbrio entre tradição e inovação continua sendo a base, com a ideia de que o sucesso depende de visão compartilhada e abertura a novas práticas enológicas.
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