- Defende medidas macroprudenciais para reduzir vulnerabilidades financeiras, sem substituir a atuação do Copom.
- Aponta que credíto caro, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal por bancos digitais, aumenta endividamento de famílias com renda instável.
- Observa que, no exterior, são permitidas medidas direcionadas a segmentos específicos para limitar comprometimento de renda e para exigir capital adicional em carteiras de crédito com juros elevados.
- Explica que o objetivo é reduzir riscos financeiros e melhorar a qualidade da intermediação, não gerenciar a demanda nem substituir a meta de inflação pela Selic.
- Aposta em médio prazo por disciplina fiscal e estabilidade regulatória para a dívida pública ficar menos indexada à Selic, reduzindo a taxa real de juros necessária para cumprir a meta de inflação.
A política monetária brasileira enfrenta limites na transmissão aos setores mais vulneráveis da economia. A ideia central é reduzir a dependência de crédito caro, sem abandonar o papel do Copom na meta de inflação. O foco é reconstruir canais de transmissão que hoje funcionam de forma insuficiente.
A ampliação de limites de crédito em cartões, cheque especial e crédito pessoal por bancos digitais cresce sem acompanhamento adequado. O risco está na prática de oferecer limites amplos a tomadores com renda instável, o que aumenta vulnerabilidades no sistema financeiro.
Essa leitura considera que o arcabouço internacional admite ações macroprudenciais específicas. Medidas podem atuar em segmentos de renda, com limites de comprometimento para crédito pessoal e cartões, ou exigências adicionais de capital para carteiras concentradas.
Quando juros sobem, inadimplência aumenta e a rolagem de dívidas se intensifica, muitos bancos adotam estratégias semelhantes. A macroprudência surge para conter esse risco agregado e evitar efeitos sistêmicos.
Não se trata de substituir a política monetária nem de substituir o ajuste de juros. O objetivo é reduzir vulnerabilidades financeiras e melhorar a qualidade da intermediação. O papel é complementar o esforço do Copom.
Ao reduzir a dependência de modalidades de crédito cara, parte da sobrecarga sobre a taxa de juros real pode ser amenizada. A ideia é melhorar a eficiência da intermediação, sem abandonar a meta de inflação.
No médio prazo, com disciplina fiscal e maior segurança jurídica, a dívida pública pode ficar menos indexada à Selic. Isso contribuiria para abrir os canais de transmissão da política monetária.
Medidas macroprudenciais, associadas a estabilidade regulatória, tendem a reduzir a taxa real necessária para cumprir a meta de inflação. O objetivo é manter a economia mais resistente a choques de crédito. Fonte: cobertura de especialistas consultados pelo Estadão.
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