- Em 2026, preços de vinho fino estabilizaram, com quedas interrompidas e recuos em menores nichos, segundo especialistas do setor.
- Os principais índices da Liv-ex ficaram quase estáveis nos quatro meses que terminaram em 30 de abril; o Fine Wine 50 subiu 0,7%.
- Interesse de compradores ricos, demanda na China e operação de Bordeaux en primeur impulsionaram negócios, com Pontet-Canet 2025 vendido pela Vinum Fine Wines além das expectativas.
- Casas de leilões mostram resultado positivo: Sotheby’s teve alta taxa de venda em lotes de Bordeaux, enquanto lances de grandes formatos também tiveram destaque.
- A procura atual abrange desde rótulos maduros de cerca de 150 libras até garrafas de Lafite 1870 que alcançaram valores elevados, em meio a cautela sobre o cenário geopolítico e macroeconômico.
O mercado de vinhos finos manteve a trajetória de estabilização em 2026, com investidores e entusiastas buscando desde garrafas raras já maduras até caixas com boa relação de preço. Segundo a Bordeaux Index e a plataforma LiveTrade, os preços pararam de recuar e apresentam pequenas altas em nichos específicos.
Na prática, os principais índices globais de negociação ficaram quase sem variação no quadrimestre encerrado em 30 de abril. O Fine Wine 50, que acompanha os primeiros crescimentos de Bordeaux, avançou 0,7%. O interesse de compradores ricos em garrafas de alto rendimento persiste, com demanda recobrando ânimo na China, mesmo em um cenário de mercado desafiador.
Tendências e demanda
A Pontet-Canet 2025 foi negociada em volumes maiores do que o esperado durante o início do en primeur em Bordeaux. Mendes de mercado destacam o momento de retomada com tentativas de atividade voltadas a peças de maior qualidade. Entre os itens mais vendidos figuram Bordeaux de cinco estrelas e champanhes de meia-idade, segundo dados de casas de leilão e traders.
Alguns licitantes do LiveTrade encontraram vendedores dispostos a oferecer abaixo do preço de mercado, enquanto a Bordeaux Index tem comercializado estoque em formato grande, ainda que ex-château, a preços elevados. A Knight Frank sinaliza crescente interesse por garrafas de formato gigantesco, influenciadas pela disposição de salas de vinho com display de vidro em residências de alto padrão.
Leilões e liquidez
No universo de leilões, a Sotheby’s aponta desempenho sólido: desde setembro do ano passado, até o momento, 96% dos lotes ofertados foram vendidos, superando marcas de anos anteriores. Colecionadores buscam, ao mesmo tempo, vinhos prontos para beber, com opções variando entre 150 libras e até 200 mil dólares por rótulos de ponta.
Em leilões realizados em Nova York, a Scot Sotheby’s chegou a atingir vendas totais de cerca de 2,1 milhões de dólares, impulsionadas por itens como Lafite Rothschild 1870 em garrafas de magnum. No Reino Unido, a Dreweatts comercializou itens da adega de Lord Rothschild, com todos os lotes vendidos.
Contexto de mercado e visão
O conjunto de dados do mercado aponta que Bordeaux, apesar de perder peso relativo ante outras regiões, continua a manter liquidez, escala e reconhecimento internacional. O relatório Wealth 2026 da Knight Frank destaca o papel das garrafas de grande formato na atração de colecionadores, refletindo mudanças de hábitos de consumo e da própria geografia de demanda.
O panorama macroeconômico e geopolítico, segundo especialistas, imprime cautela aos negócios, mantendo o viés de observar o suporte de mercados estáveis, como o de Bordeaux, com atenção aos desdobramentos globais e à evolução de mercados emergentes.
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