- Bradesco BBI projeta potencial de alta de até cerca de 30% para a bolsa brasileira, com base em valuations atrativos, melhoria de lucros e cenário doméstico mais favorável.
- O relatório sustenta que a relação entre altas de juros nos EUA e queda de mercados emergentes não é universal; a trajetória do dólar pesa mais.
- Historicamente, o desempenho do MSCI Brazil varia conforme o dólar; o cenário atual pode ser mais benigno para ativos de risco, mesmo com aperto global.
- O Brasil continua como principal escolha da América Latina para o banco, que mantém recomendação overweight e afirma que a recente queda dos ativos pode ter exagerado os fundamentos.
- Catalisadores domésticos para 2026 incluem o ciclo de juros no Brasil, com ganhos para ativos durante cortes, revisões de lucro por ação em cerca de 25% em 2025 e força do consumo doméstico.
O aperto monetário nos Estados Unidos não deve, por si só, frear as ações brasileiras, aponta o relatório do Bradesco BBI divulgado nesta semana. O estudo sugere potencial de alta de cerca de 30% para a B3, sustentado por valuations atraentes, melhora de lucros e cenário doméstico mais favorável.
Intitulado Guilty by Association – How Brazil Can Beat the Fed, o relatório contesta a relação histórica entre juros elevados no exterior e desempenho fraco de mercados emergentes. Segundo os estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler, a trajetória do dólar pesa mais do que o nível de juros.
A pesquisa analisa ciclos de aperto do Fed em 2004, 2015 e 2022 e indica que o MSCI Brazil variações vão além do simples nível de taxa. Em 2004, a depreciação do dólar impulsionou o índice em cerca de 180%, enquanto em 2022 houve recuo com dólar mais forte.
Apesar de a curva de juros dos EUA ter se reprecificado recentemente, o BBI não espera um ciclo de aperto prolongado. A leitura é de que um dólar menos volátil pode beneficiar mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Brasil como opção na América Latina
O Bradesco BBI mantém recomendação overweight para o Brasil, considerando-o a principal escolha na região. Os analistas destacam que a recente queda de ativos brasileiros pode já ter precificado demais fundamentos.
O potencial de alta estimado em 30% é sustentado por três pilares: valuations atraentes, melhora de lucros e dinâmica doméstica mais positiva. O Brasil pegged com o menor múltiplo preço/lucro entre grandes mercados globais reforça a atratividade.
Catalisadores para 2026
O relatório aponta mudança de foco de catalisadores no Brasil ao longo de 2026. Após o primeiro semestre guiado por fatores externos, espera-se maior atuação de fundamentos domésticos no segundo semestre, com maior influência de política monetária local.
O ciclo de juros brasileiro é destacado, já que o desempenho do MSCI Brazil tende a ser mais robusto quando há cortes de juros. Também há projeções de revisões positivas de lucros por ação em 2025, com destaque para consumo interno.
Estratégia de portfólio e oportunidades
A recomendação é uma estratégia de portfólio em barbell, combinando ações de qualidade com valuations atrativos e apostas mais cíclicas, sensíveis a juros e ao mercado doméstico. Pontos como a Rede D’Or aparecem como oportunidades pós-correção.
Entre os fatores de atenção estão a evolução da política monetária nos EUA, a força do dólar, e fatores domésticos como o ciclo eleitoral e expectativas de política fiscal e de juros no Brasil.
Entre na conversa da comunidade