- Daniel Pegorini, CEO da Valora, afirma que o momento é propício para investir em infraestrutura, com retorno real acima do IPCA e isento de IR em alguns papéis, e pode chegar a IPCA mais 11,5% ao ano em longo prazo.
- Segundo ele, a queda recente das cotas foi mais um ajuste de preço do que uma deterioração dos fundamentos, tornando a baixa de preço uma oportunidade de entrada.
- Na prática, fundos líquidos listados em bolsa sofreram marcação a mercado, enquanto fundos estruturados tiveram impacto menor; o investidor é alertado de que a queda pode ter sido acumulada para retornar no futuro.
- É possível comprar debêntures de empresas como Equatorial e Sabesp, praticamente ao preço de título público, dentro de uma carteira de fundos para aposentadoria.
- O setor é visto como defensivo por demandar investimentos contínuos em infraestrutura e possuir garantias reais; porém, o aumento da taxa de juros real amplifica riscos de crédito em alguns casos, especialmente ligados a governança e estratégia empresarial.
Em meio a resgates de fundos incentivados de infraestrutura, o CEO da Valora, Daniel Pegorini, afirma que o ajuste recente no preço dos ativos não reflete uma deterioração fundamental do setor. Ele sustenta que o momento é oportuno para quem busca aplicações de longo prazo com isenção de IR, especialmente em uma classe de ativos de qualidade.
Segundo Pegorini, o desempenho recente dos fundos líquidos listados em bolsa foi influenciado pela marcação a mercado, enquanto os fundos estruturados resistentes permaneceram estáveis. O executivo diz que a redução de preço não significa perda de crédito, e que a carteira pode recuperar ganhos quando o mercado normalizar.
Pegorini destaca que há oportunidades de compra em debêntures de empresas fortes, como Equatorial e Sabesp, próximas ao preço de títulos públicos, dentro de uma carteira de longo prazo voltada para a aposentadoria. Ele ressalta que o juro real atual é incomum e pode oferecer rendimentos atrativos.
O que muda no cenário de infraestrutura
A infraestrutura é vista como defensiva diante do ambiente macroeconômico, segundo o CEO. Ele aponta que o Brasil continua necessitando de investimentos em estradas, portos, aeroportos e energia, o que sustenta a demanda por ativos do setor. Além disso, assegura que as garantias são reais, baseadas em ativos físicos ou fluxos de receita.
Riscos, governança e prêmio de risco
Pegorini diferencia risco de crédito de problemas de governança. Casos como Ambipar, Raízen, Braskem e GPA são citados como exemplos de eventuais falhas estratégicas ou de governança, que contribuíram para dificuldades, ainda que o cenário de juros tenha aumentado o custo do crédito. O executivo afirma que a remuneração atual do mercado já contempla parte desses riscos.
Perspectivas de investimento e cenário atual
Ao analisar o tamanho do mercado de renda fixa, com cerca de 4 trilhões de reais, e uma taxa real de juros em torno de 10% ao ano, ele afirma que as perdas associadas a episódios de crédito representam uma fração pequena desse estoque. Segundo Pegorini, a recuperação de preços e a oxigenação das taxas reforçam a atratividade de investir em infraestrutura, especialmente para planos de aposentadoria.
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