- Sinduscon-PR alerta que a proposta de reduzir a jornada de 44 para 40 horas e extinguir a escala 6×1 pode elevar a hora trabalhada em cerca de 22,2%, pressionando o CUB local.
- A ideia avança no PL 1.838/2026 na Câmara e tramita no Senado; o impacto nacional pode ficar entre cinco e 11 por cento no custo total dos empreendimentos, podendo chegar a quinze por cento conforme a forma de implementação.
- Canteiros de obra funcionam de forma contínua e a redução de dias pode atrapalhar etapas realizadas aos sábados; há déficit de mão de obra qualificada, estimando-se necessidade de cerca de 288 mil trabalhadores.
- Parte dos custos adicionais tende a ser repassada ao comprador, aumentando o preço dos imóveis e influenciando o crédito imobiliário, com margens líquidas das construtoras normalmente entre oito e doze por cento.
- O impacto é mais sensível na habitação popular, com estimativas de até dez por cento de aumento no custo das unidades; o INCC subiu 8,9% nos últimos doze meses e empresas buscam aumentar produtividade e novas fontes de financiamento.
O setor da construção civil do Paraná aponta aumento de custos e de preços com a possível extinção da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. A proposta, em tramitação no Congresso Nacional, pode elevar o custo da hora trabalhada e atrasar cronogramas, impactando imóveis para o consumidor.
O debate ganhou força com o PL 1.838/2026, que propõe reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais. A Câmara aprovou o texto; a tramitação no Senado ainda não tem data marcada. A discussão ocorre em nível nacional, com efeitos regionais relevantes no Paraná.
no Paraná, a expectativa é de aumento de 22,2% no valor da hora trabalhada, pressionando o CUB, principal indicador da construção, segundo o Sinduscon-PR. Marcelo Braga, presidente do sindicato, disse que a realidade local pode ser ainda mais sensível.
No levantamento nacional, a Abrainc e a CBIC estimam alta entre 5% e 11% no custo total dos empreendimentos, com possibilidade de 15% dependendo do modelo de implementação. A implementação varia conforme as regras que vierem a valer.
Para o Sinduscon-PR, a construção tem operação contínua e a redução de dias pode comprometer etapas de sábado, como concretagens e finalizações, elevando a complexidade de adaptação. A escassez de mão de obra qualificada também pesa no custo.
Braga aponta que, para manter prazos, as construtoras teriam que contratar mais trabalhadores ou pagar horas extras. Isso elevaria ainda mais o custo, além do previsto, reforçando o desafio de repassar valores aos compradores.
Estimativas da CBIC indicam que seriam necessários cerca de 288 mil trabalhadores para manter a produtividade atual, caso a jornada seja reduzida. O imbalance de oferta de mão de obra já é um entrave setorial relevante.
Impacto no bolso do comprador
Parte dos custos adicionais tende a ser repassada ao consumidor final, pois margens das empresas costumam ficar entre 8% e 12%. O resultado seria imóveis mais caros e crédito imobiliário mais restrito, com parcelas maiores e menos famílias aptas a obter financiamento.
Nikolas Nissel, diretor de Real Estate da Quartzo Capital, ressalta que o problema é inflacionário e que o mercado não enxerga efeitos estruturais positivos que compensem o aumento imediato de custos. Observa ainda que muitos empreendimentos já estão comercializados.
O impacto é mais intenso no segmento de habitação popular, com margens reduzidas e preços limitados pelo financiamento. Estimativas apontam alta de até 10% no custo das unidades populares, segundo Abrainc e CBIC.
Mercado busca soluções para mitigar efeitos
O momento exige estratégias para ganhar produtividade, como industrialização de processos e novas fontes de financiamento. O INCC registra alta de 8,9% nos últimos 12 meses, superando a variação de materiais.
Empresas do setor passaram a revisar modelos de viabilidade, necessidade de capital de giro e estrutura operacional. Os impactos da proposta vão além do eixo trabalhista, atingindo a estrutura financeira do setor.
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