- Tony Volpon, ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central (2015–2017), defende que o Copom possa ter um integrante adicional para atuar como advogado do diabo, sem direito a voto.
- O Copom completou 30 anos no sábado; Volpon diz que o órgão é um “mundinho fechado” e pode usar recursos para trazer uma diretoria nova, fortalecendo as discussões.
- A autonomia financeira do BC serviria para viabilizar esse gasto, segundo ele, tornando o debate mais robusto sem comprometer a votação.
- O ex-diretor destaca crises passadas como momentos-chave da história do Copom, como 2002 e 2008, e critica o forward guidance durante a covid.
- Como recomendação institucional, Volpon sugere ressuscitar diretorias especiais com um acadêmico ou profissional de mercado por um ano, sem voto, para questionar o grupo.
O Copom pode ter seu funcionamento ampliado com a inclusão de um novo integrante, considerado por ex-diretor Tony Volpon como um “advogado do diabo” capaz de questionar, mas sem voto. A ideia surge no contexto de celebração dos 30 anos do comitê.
Volpon afirma que o Copom é um grupo restrito e pode usar recursos para trazer uma diretoria adicional que participe das discussões, sobretudo para críticas bem fundamentadas. A sugestão ganharia força com maior autonomia financeira do BC.
Para ele, essa figura não precisaria ter assento na votação, mas contribuiria com perguntas e contra-argumentos. A proposta depende da aprovação no Congresso da autonomia financeira da instituição, avalia o ex-diretor.
O ex-diretor lembra crises como marcos da história do Copom, destacando avanços em comunicação e transparência ao longo dos anos. Ele aponta que momentos de turbulência exigem capacidade de adaptação.
Volpon cita crises de 2002 e 2008 como ilustrativas, ressaltando decisões ousadas em cenários desafiadores. Em sua leitura, a atuação rápida diante de choques econômicos foi determinante para a credibilidade.
Ainda seconda ele, houve equívoco na comunicação durante a pandemia: o forward guidance, segundo ele, atrasou ajustes? Atribui-se, porém, o erro à sinalização excessiva que precisava ser corrigida com rapidez.
Se aprovada a autonomia do BC, Volpon recomenda reativar diretorias especiais, com participação de um acadêmico ou profissional de mercado por um ano. O objetivo é trazer perspectivas novas sem alterar o voto.
O papel do novo integrante seria, então, promover questionamentos que desafiem o pensamento dominante do grupo, fortalecendo o debate técnico. A função seria estritamente crítica, sem alterar o equilíbrio institucional.
Em síntese, o ex-diretor defende que o Copom mantenha foco técnico, ampliando a pluralidade de voz por meio de uma figura externa que fomente debates sem impacto direto no ritmo das decisões.
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