- Pan Shiyi, fundador da Soho China, afirmou, em publicação na rede social feita em abril, que o modelo de investimento imobiliário seria semelhante a um esquema de pirâmide, levando a uma bolha; a postagem foi apagada, mas cópias se espalharam online.
- Ele era uma figura de destaque no setor e deixou a presidência em 2022; acredita-se que tenha transferido operações para os Estados Unidos.
- O texto descreve como incorporadoras compravam e construíam terrenos de forma agressiva, usando a venda de imóveis na planta para captar recursos, com governos locais inflacionando preços.
- Em meio a financiamento ilimitado, algumas empresas venderam imóveis com financiamento integral e sem entrada; o setor enfrentou forte choque após restrições de 2020, incluindo o caso da Evergrande, com passivo de 2,39 trilhões de yuans.
- Mercado imobiliário afeta a economia: o setor representa grande parte da riqueza das famílias, vendas no varejo caíram 0,6% em maio, Country Garden enfrenta recuperação e estoque elevado sugere dificuldade de recuperação; governos locais enfrentam limites financeiros para apoiar falências ou compras.
Uma publicação feita em abril em uma rede social ganhou evidência na China, ao sustentar que o modelo de investimento imobiliário funciona como pirâmide, alimentando uma bolha. A postagem foi apagada, mas cópias circularam online.
Pan Shiyi, fundador da Soho China, é o autor citado. Ele deixou a presidência em 2022 e acredita que suas operações migraram para os Estados Unidos. Segundo ele, incorporadoras compraram terrenos com a expectativa de alta contínua dos preços.
As empresas adquiriram e ergueram terrenos de forma agressiva, sustentadas pela venda de imóveis na planta. Governos locais, que dependem da receita de terrenos, teriam inflacionado os preços para viabilizar a revenda aos compradores.
Algumas incorporadoras venderam imóveis com financiamento total e sem entrada, o que ampliou a alavancagem. Pan afirmou que esse uso ilimitado de crédito elevou o risco sem limites, e disse ter evitado tais práticas.
O mercado imobiliário sofreu com restrições de financiamento impostas pelo governo em 2020. Surgiu uma escalada de dificuldades, incluindo o China Evergrande Group, com passivo de 2,39 trilhões de yuans ao fim de junho de 2023.
Essa situação impõe custos à economia como um todo. Na China, o setor chega a representar de 60% a 70% do patrimônio das famílias, e quedas de preços reduzem a confiança do consumidor.
Dados de 16 de junho mostraram que as vendas no varejo de maio caíram 0,6% ante o mesmo mês de 2023, a primeira queda desde dezembro de 2022, sinalizando impacto da crise.
Pan afirmou que a dor provocada pela crise deve perdurar por anos, possivelmente uma década, e pediu restauração da confiança e integridade no setor. O objetivo é uma recuperação mais sólida.
As empresas tentam recomeçar. Country Garden deixou de pagar títulos em dólares em 2023, mas fechou acordo com credores para reestruturação da dívida no fim de 2025. Em fevereiro, encerrou ações judiciais de liquidação em Hong Kong.
Mesmo assim, o caminho não é simples. Vendas de imóveis da Country Garden caíram por 37 meses até maio, e as ações recuaram pela metade desde o começo do ano. Analistas apontam novo enfraquecimento do mercado.
Aoki Tsukioka, do Instituto de Pesquisa Mizuho, aponta excesso de estoque residencial equivalente a mais de cinco anos de desenvolvimento, dificultando a recuperação. A normalização exigiria compra e venda de estoque pelo governo.
Governos locais, principais incentivadores da compra, têm recursos limitados e relutam em utilizar falências de empresas como ferramenta. A China Vanke, gigante do setor, sobrevive com apoio de seu acionista principal, estatal.
A crise imobiliária prolongada continua pressionando a demanda interna. A procura por moradia tende a cair à medida que o casamento e a natalidade na China diminuem, ampliando o risco de distorções econômicas duradouras.
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