- A economia dos EUA continua crescendo em torno de 2% ao ano, mesmo diante de choques globais e políticas de comércio e imigração promovidas pelo governo Trump.
- O investimento de capital nos Estados Unidos está em 13,9% do PIB, sustentando a atividade econômica apesar de pressões sobre oferta.
- A produção de petróleo e gás de xisto tornou o país mais autossuficiente em energia, reduzindo a vulnerabilidade a choques do setor e ajudando a conter impactos externos.
- A taxa de desemprego avançou com a criação de 172 mil empregos em maio, superando expectativas, enquanto a inflação subiu para 4,2% em maio, frente a 3,8% em abril.
- Diferenças estruturais e culturais entre EUA e Europa — acesso a capital de risco, mercados de ações, e menor dependência de empréstimos bancários — ajudam a explicar a resiliência americana frente a choques globais, embora aumente a preocupação com desigualdade e custo de vida.
Em Dresden, Alemanha, a fábrica da Volkswagen encerrou a linha de montagem no ano passado, símbolo da pujança industrial europeia. Do outro lado do Atlântico, Spartanburg, na Carolina do Sul, abriga a maior fábrica da BMW do mundo.
A diferença entre esses polos ajuda a explicar por que a economia dos EUA tem mostrado maior resiliência diante de choques globais recentes. Tarifas, migração e os impactos no petróleo foram sentidos de formas distintas.
O que ajudou os EUA a atravessar a turbulência inclui investimentos robustos em capital, inovação produtiva e uma maior flexibilidade de financiamento para as empresas. O investimento de capital chegou a 13,9% do PIB, segundo analistas.
A produtividade elevada também tem sido fator-chave, mantendo o crescimento próximo de 2% ao ano, mesmo com pressões inflacionárias. Esse impulso compensa parte das dificuldades geradas por choques externos.
Energia e fracking
A volatilidade dos preços do petróleo no Oriente Médio não derrubou o crescimento americano, graças à revolução do petróleo de xisto. Nos EUA, o fracking elevou a produção e reduziu a dependência energética externa.
Nos últimos 20 anos, o país passou a figurar entre os maiores produtores de petróleo e gás, o que ajudou a amortecer choques de oferta. A contribuição do petróleo para o PIB por unidade de energia caiu pela metade nos últimos 50 anos.
Enquanto os EUA flexibilizaram preços pelo mercado, a Europa depende mais de contratos de longo prazo e de redes interconectadas para segurança energética, ampliando a vulnerabilidade a choques de abastecimento.
Rebecca Christie, pesquisadora do Bruegel, aponta que a cultura de risco é diferente entre os dois lados do Atlântico. Os americanos parecem mais dispostos a assumir riscos imediatos por benefícios futuros.
Estruturas de financiamento e emprego
Nos EUA, empresas recorrem a ações e capital de risco para financiamento, ao contrário de parte da Europa, que depende mais de empréstimos bancários e seguros trabalhistas. Essa diferença impacta a flexibilidade operacional.
O mercado de trabalho americano abriu mais vagas em maio do que o esperado, reforçando o ritmo de criação de empregos, mesmo diante de pressões inflacionárias.
Entretanto, especialistas alertam para desigualdade persistente. A economia parece sólida, mas o mercado pode ocultar tensões reais em regiões com moradia cara e menor crescimento de salários.
A inflação continua acima de metas em alguns meses, com o índice anual de maio em 4,2%, frente a 3,8% em abril. Esses números indicam que o espaço de tolerância da economia é limitado.
Para muitos analistas, a combinação de mercados flexíveis, produção energética abundante e capacidade de investimento mantém os EUA em posição de vantagem entre economias desenvolvidas.
Joe Brusuelas resume: a economia segue com a fulgidez em meio a um cenário global turbulento, sem rupturas graves até agora.
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